Carlos Boliero tem 57 anos. O rosto é sublinhado por um bigode cinzento cerrado e por sobrancelhas grossas. É procurado há seis anos pela Interpol por agressões sexuais a uma jovem de 14 anos nos Estados Unidos. 

A última residência de Boliero foi em Hooksett, New Hampshire, mas desapareceu antes de um mandado de captura ter sido emitido”, afirma um comunicado da polícia de New Hampshire, avançando que o suspeito é natural de Povoação, uma vila na ilha de São Miguel. 
 

Carlos Boliero tem cerca de um metro e setenta e pesa 79 quilos. O cabelo e os olhos são castanhos e no corpo tem tatuado uma cabeça de pantera preta, uma pantera com uma cobra, um Pegasus nas costas e os nomes “Pamela”, “Kevin”, “Kyle” e “Kaylie” escritos a tinta negra nas costas, nas coxas e nos braços.

  

Na noite de 5 de Agosto de 2013, o dia do crime, a polícia fez buscas na casa do luso-descendente e encontrou várias provas que ligam Boliero à menor, mas não conseguiram encontrar o suspeito que continua em fuga até aos dias de hoje.

Para encontrar o luso-descendente, a Interpol emitiu um alerta vermelho: um pedido enviado para as forças policiais internacionais para localizar e deter provisoriamente um suspeito até este ser extraditado para o país onde cometeu o crime.

  

Atualmente existem 58 mil alertas vermelhos válidos, no entanto apenas cerca de sete mil são públicos. O alerta contém dois tipos de informação: os detalhes do suspeito e o tipo de crime que cometeu. 

Existem onze alertas vermelhos para suspeitos portugueses. São todos homens e o tráfico de droga é crime mais frequente.

 

José Palinhos Cohen

Ao contrário do caso de Carlos Boliero, nem todos os procurados pela Interpol estão em fuga. Na verdade, o suspeito pode ter sido detido no país para onde fugiu, mas o mandado internacional só cai quando o suspeito for extraditado para o país que o procura.

Porém, dentro da CPLP, um suspeito que foi detido no país para onde fugiu pode ser posto em liberdade se o as autoridades desse Estado não tiverem recebido o pedido de extradição num prazo de 40 dias, segundo a Convenção de Extradição entre os Estados Membros da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa.

Foi o que aconteceu com José Palinhos Cohen

Atualmente com 69 anos, Cohen foi preso no Rio de Janeiro, em 2005, durante a operação "Caravelas", que desmantelou uma quadrilha que pretendia exportar para a Europa cerca de 1,7 toneladas de cocaína escondida em peças de bucho de boi. 

O empresário português foi condenado a 28 anos de cadeia, mas em dezembro de 2009, segundo o site Globo, aproveitou a passagem ao regime semi-aberto para fugir. 

Apesar de Cohen estar a ser investigado noutros processos, a Justiça brasileira decidiu que podia trabalhar fora da prisão e regressar apenas para dormir.

Aproveitando a situação, Cohen fugiu imediatamente e aproveitou um erro da justiça brasileira que demorou três meses a declará-lo fugitivo e pô-lo na lista de procurados.

Márcio Oliveira, delegado da polícia brasileira, explicou à Globo que só se apercebeu que o condenado estava em fuga quando um funcionário judicial o quis interrogar.

Realmente, a sua fuga é muito curiosa. Causou-nos muito descontentamento. Recapturá-lo não vai ser fácil porque o acusado tem muito dinheiro”, disse o delegado.

Durante o tempo em que esteve fugido, Cohen viveu, desde 2006, na região de Aveiro. Para despistar as autoridades ficava com frequência em hotéis de luxo. Aparecia e desaparecia sem deixar qualquer rasto, até que, durante uma operação relâmpago em 2011, foi detido. 

Testemunhas contaram que José Palinhos Cohen não tentou fugir e nem sequer reagiu. Na verdade, o foragido seria libertado no mês seguinte ao abrigo da Convenção de Extradição entre os Estados Membros da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa.

José Palinhos ficou sujeito a apresentações diárias no posto policial da área de residência, em Lisboa. O seu advogado chegou mesmo a dizer à Lusa que ia pedir uma indemnização ao Estado português por prisão ilegal do arguido.

Desde o início que as autoridades sabiam que a extradição não era possível, porque não há extradição entre Portugal e o Brasil desde que sejam cidadãos naturais", afirmou.

O mandado de detenção continua ativo.

 

Jorge Manoel Rosa Monteiro

Jorge Manoel Rosa Monteiro é outro português procurado pela Interpol na sequência da operação Caravela. Tem 59 anos e é natural de Lisboa.

Segundo a Polícia Federal do Brasil, os 16 suspeitos, identificados na operação Caravela, são acusados pelo Ministério Público de criar empresas com nomes de sócios falsos e testas de ferro com os lucros do tráfico de cocaína para a Europa. 

 

O Ministério Público decretou ainda prisão preventiva para nove dos suspeitos, incluindo o português. Porém, Jorge Manoel Rosa Monteiro continua em fuga, tendo sido, por isso, emitido um alerta vermelho pela Interpol.

 

António Palinhos Jorge Pereira

Ainda há mais um português envolvido no esquema de tráfico de droga e lavagem de dinheiro desmantelado pela operação Caravela. António Palinhos Jorge Pereira tem 72 anos e é natural de Rendo, uma freguesia do concelho do Sabugal. Até ao momento, o português continua em fuga.

O alerta vermelho da Interpol não disponibilizou uma imagem do procurado.

 

Daniel Costa

A fábrica onde Ana Barros trabalhava em Danbury, nos Estados Unidos, fecha durante o fim de julho e o início de julho e a portuguesa costumava aproveitar o tempo de férias para visitar a terra onde nasceu, Arcos de Valdevez. 

No entanto, no verão de 2010, a família e os amigos não a receberam como de costume. 

  

No dia 6 de junho, a polícia de Danbury encontrou o cadáver de Ana Barros, de 55 anos, enterrado em cimento por baixa da cave da casa onde vivia desde que tinha emigrado para os Estados Unidos.

Era uma pessoa discreta e tímida”, disse a sobrinha Annabelle Almeida ao jornal NewsTimes, descrevendo a vítima como uma pessoa que era graciosa e elegante.

Foi Annabelle que deu o alerta para o desaparecimento da tia quando encontrou o seu carro abandonado em Rogers Park, perto da casa de Ana Barros. 

Ana Barros emigrou para os Estados Unidos nos anos 80 e mudou-se para o terceiro andar do apartamento da irmã Maria Costa e do cunhado Gaspar Costa.

Embora a família Costa tenha regressado a Portugal, o filho de Maria e de Gaspar, Daniel Costa, na altura com 40 anos, continuou a morar na casa da família.

Meses antes do desaparecimento de Ana Barros, foram entregues documentos no Tribunal Superior de Danbury que indicam que a casa da família, que estava em nome de Gaspar, Maria e Daniel Costa, estava a ser hipotecada pela leiloeira BAC Home Loans Servicing. 

O registo civil, consultado por vários jornais locais, mostra que Daniel Costa recebeu 100 mil dólares (89 859,5 euros) em setembro de 2007, devido à hipoteca. Dois meses depois, Daniel Costa terá contraído um empréstimo imobiliário de 345 mil dólares.

   

Daniel Costa abandonou o país e regressou a Portugal no dia 25 de maio de 2010, três dias depois de Ana Barros ter sido dada como desaparecida. 

Em outubro de 2010, foi emitido pela Interpol um mandado de detenção para Daniel Costa. Segundo a tese da investigação das autoridades policiais de Danbury, Daniel Costa terá esfaqueado a tia até à morte e espalhado cimento em cima do corpo.

O português teria ainda tentado, sem sucesso, retirar dinheiro da conta bancária de Ana Barros.

Daniel foi acusado de homicídio e recebeu uma pena de prisão efetiva que, no estado de Connecticut é equivalente a um mínimo de 25 anos. Foi ainda acusado de tentativa de furto em terceiro grau.

 

Lisbio Maria Jacinto Couto

Lisbio Maria Jacinto Couto é procurado pela Interpol e pelo FBI por onze crimes, incluindo conspiração, corrupção, posse e uso de armas de fogo, homicídio, tentativa de homicídio e extorsão organizada. 

Couto nasceu em Macau quando ainda pertencia ao território Português e carrega consigo um passaporte de Portugal. O procurado chegou aos Estados Unidos quando tinha nove anos e viveu na Califórnia. 

 

Segundo as autoridades, Lisbio, juntamente com uma organização criminal asiática, esteve envolvido num assalto à mão armada em Hayward, no dia 11 de abril de 1997, um assalto à mão armada e homicídio em San Jose, no mês seguinte, e um ataque informático a 9 de outubro de 1997, também na cidade de San Jose. 

Pode estar armado e é perigoso. Há risco de fuga”, afirma o cartaz emitido pelo FBI. 

 

Carlos Miguel Pina de Castro e Silva

Carlos Miguel Pina de Castro e Silva é um dos 23 foragidos procurados pela Polícia Federal do Brasil depois de uma das maiores apreensões da história de São Paulo. 

Em março de 2014, foram apreendidas mais de 3,7 toneladas de cocaína, além de 721 mil reais (230 mil euros), 21 armas, uma dezena de carros e uma lancha no porto de Santos. 

 

Através da intercessão de 1,3 milhões de comunicações de 130 telemóveis de traficantes, as autoridades conseguiram perceber que a organização criminal colocava cocaína produzida em países vizinhos do Brasil em sacos e mochilas depositados em contentores no porto de Santos para seguirem para a Europa, África e Cuba. 

As buscas originaram 69 detenções até ao momento.

 

Duarte Lima

O ex-deputado e advogado português Duarte Lima é acusado de se ter apropriado indevidamente de cinco milhões de euros de uma cliente, Rosalina Ribeiro.

O alerta vermelho da Interpol foi emitido não devido ao dinheiro que terá sido apropriado, mas sim porque, segundo a acusação, Rosalina Ribeiro foi assassinada depois de um encontro com Duarte Lima. 

 

No início do mês de janeiro de 2019, o ex-deputado e advogado português Duarte Lima foi absolvido pelo Tribunal Criminal de Lisboa . 

Já no dia 14 de outubro, o Supremo Tribunal brasileiro determinou o trânsito em julgado da decisão de enviar para julgamento em Portugal o processo em que Duarte Lima, de 64 anos, está acusado de homicídio.

 

João Paulo Ferreira Marques

 

Em outubro de 2011, a polícia argentina realizou uma série de buscas nas províncias de Salta, Tucumán, Formosa e Buenos Aires, conseguindo interromper as ações de uma organização criminosa que armazenava e transportava cocaína da Argentina para Lisboa. A carga seria transportada por via marítima e, antes de chegar à Europa, faria uma escala no Brasil.

A carga foi descoberta num barracão que pertencia a Luis Antonio Cifre, um ex-autarca da cidade de Salta ligado ao negócio de carvão vegetal. A droga foi tratada por engenheiros químicos para que tivesse uma cor negra e fosse confundida com carvão.

Cifre e o sobrinho João Paulo Ferreira Marques foram detidos e estiveram presos durante cerca de dois anos até que Raúl Reynoso, ex-juiz federal que foi condenado a 13 anos de prisão por beneficiar traficantes de droga, os colocou em liberdade em 2013.

No final de 2015, o Tribunal Federal de Oran ordenou a captura nacional e internacional dos portugueses.

Em setembro de 2017, João Paulo Ferreira Marques, atualmente com 52 anos, foi detido em Torres Vedras graças a informações de inspetores do gabinete da Interpol da Argentina que vieram a Portugal com informações de que o suspeito estava em solo nacional. 

A detenção foi feita através da colaboração entre os inspetores da interpol argentina e as autoridades portuguesas.

Foi pedida ainda a extradição do suspeito, mas o alerta vermelho da Interpol mantém-se.

 

Serafim Pereira Almeida da Cruz

Não são públicos muitos detalhes de Serafim Pereira Almeida da Cruz. 

O português de 62 anos é procurado pela Argentina por tráfico de droga. 

Sabe-se ainda que tem 1,60 metros de altura e é natural de Ponte de Lima, em Viana do Castelo.

  

Mário António Fonseca

Mário António Fonseca é procurado pelo Brasil por lavagem de dinheiro e tráfico de droga. Tem 60 anos e dupla nacionalidade - portuguesa e norte-americana.

Até ao momento não há registos sobre o seu paradeiro.