Os procuradores de Long Island, Nova Iorque, ilibaram um homem da acusação de homicídio pela qual cumpriu 31 anos de prisão. A decisão comunicada esta quarta-feira revela que Keith Bush foi forçado a dar uma confissão, além de ter sido alvo de racismo por um detetive. No mesmo comunicado é dito que algumas evidências foram ilegalmente suprimidas pelos investigadores.

Desde a sua condenação em 1976 que Bush clama pela sua inocência, que só agora foi concedida. O homem foi acusado por um homicídio que nunca ficou bem explicado. O facto de nunca ter assumido o crime, que agora se sabe que não cometeu, agravou-lhe a pena em 10 anos.

Agora com 62 anos, Bush vê a sua imagem finalmente limpa. O homem foi libertado em 2007, com liberdade condicional, e registado como um agressor sexual.

No relatório apresentado pelos procuradores de Nova Iorque é referido que a investigação inicial ocultou vários pormenores, incluindo a existência de um outro homem envolvido no crime que vitimou uma menina de 14 anos. Os procuradores acreditam que esse segundo homem terá sido o verdadeiro assassino.

Não tenho dúvidas de que prendi o homem certo”, disse August Stahl, um dos investigadores da altura, ao USA Today, esta quarta-feira

Em comentário ao caso, o novo procurador daquele distrito de Nova Iorque, Timothy Sini, disse que “a pior coisa que pode acontecer a um procurador é condenar alguém quando há uma dúvida da sua culpabilidade”. 

Durante as novas audições em relação ao caso, Bush disse aos procuradores que a sua confissão foi forçada por um clima de violência sobre um adolescente. Acabaria por assinar uma confissão onde dizia ter esfaqueado e estrangulado a jovem de 14 anos.

John Jones, o segundo homem, só foi implicado no caso em 2006, quando os investigadores descobriram tecido do seu ADN nas unhas da vítima. Segundo novos documentos, só agora obtidos pela defesa, a polícia soube da existência de Jones três meses depois de Bush ter assinado a confissão. Jones esteve no local onde a vítima foi encontrada, tal como Bush. Os três tinham ido a uma festa privada. Após saber da ligação de Jones ao caso, a polícia fez um teste de polígrafo. Satisfeitas com a resposta, as autoridades declararam o segundo homem inocente.

Depois do sucedido, Jones, que morreu em 2006, viria a ser preso várias vezes, uma delas por ter violado uma jovem de 15 anos, que ficou grávida como consequência do sucedido.