Uma onda de violência e de ataques criminosos assolam o estado brasileiro do Ceará há cinco dias. Desde quarta-feira, já ocorreram pelo menos 98 ataques e nem o reforço da segurança foi capaz, até agora, de travar a onda de criminalidade. Pelo menos 110 pessoas foram já detidas e dois suspeitos foram mortos em trocas de tiros com a polícia.

A onda de criminalidade começou em Fortaleza e rapidamente se espalhou a 33 cidades do estado. Carros e autocarros foram incendiados. Edifícios públicos e estabelecimentos comerciais foram assaltados e vandalizados.

Num dos ataques, já este domingo, os criminosos fizeram explodir uma estrutura de telecomunicações, em Limoeiro do Norte, na Região Norte do Ceará. Por causa deste ataque, 12 municípios ficaram sem comunicações móveis da rede Tim.

Há ataques registados nas cidades de Fortaleza, Tianguá, Pacatuba, Horizonte, Maracanaú, Caucaia, Pindoretama, Eusébio, Morada Nova, Marco, Jaguaruana, Canindé, Piquet Carneiro, Morrinhos, Aracoiaba, Limoeiro do Norte, São Gonçalo do Amarante, Baturité, Juazeiro do Norte, Guaiúba, Acaraú, Massapê, Pacajus, Ibaretama, Icapuí, Pacoti, Sobral, Jijoca de Jericoacoara, Quixadá, Tabuleiro do Norte, Varjota, Barroquinha e Iguatu.

Além dos dois suspeitos mortos, um agente da polícia militar foi atingido a tiro num braço. Outras quatro pessoas sofreram queimaduras em ataques incendiários a autocarros em Fortaleza e Sobral.

Os ataques estarão a ser ordenados a partir das prisões e serão represálias à promessa do secretário de Administração Penitenciária (SAP), Mauro Albuquerque, de um maior rigor na fiscalização das prisões, nomeadamente sobre a entrada de telemóveis nas cadeias. Desde quarta-feira, já foram apreendidos 407 telemóveis nas cadeias do Ceará.

De acordo com o portal G1, em vários estabelecimentos prisionais, os reclusos grafitaram as paredes das cadeias com frases como “Fora Mauro Albuquerque” e asseguram que “não vão parar até o secretário sair”.

Atualmente, os membros das facções criminosas presos no Ceará estão organizados nas unidades prisionais conforme o grupo criminoso a que pertencem. O secretário afirmou que pretende acabar com essa divisão, o que também terá desagradado aos reclusos.

Manuela Micael