Milhões de famílias americanas têm sido ameaçadas de despejo a partir de hoje numa altura de ressurgimento da pandemia de covid-19 e da cacofonia política envolvendo tanto o parlamento como a Casa Branca.

Com milhares de milhões de dólares em fundos públicos destinados a ajudar os inquilinos ainda não utilizados, o Presidente Joe Biden instou esta semana o Congresso a prorrogar uma moratória para despejos por renda não paga, que expirou à meia-noite de sábado.

Mas os Republicanos opuseram-se aos esforços Democratas para prorrogar a proibição de despejo até meados de outubro.

Bloquear a medida é um "ato de pura crueldade" "que atira as crianças e as famílias para a rua", disse no Twitter a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi.

A partir de agora, os eleitos da Câmara dos Representantes estão de férias até ao final de agosto, e serão seguidos pelos do Senado uma semana mais tarde, travando qualquer esperança de um acordo rápido.

De acordo com estatísticas do instituto de investigação independente CBPP, mais de 10 milhões de pessoas nos Estados Unidos estão têm rendas em atraso.

Além destes, cerca de 3,6 milhões de inquilinos acreditam estar em risco de despejo dentro de dois meses, de acordo com um inquérito do Bureau of Statistics a cerca de 51 milhões de inquilinos no início de julho.

A suspensão dos despejos foi adotada em setembro de 2020 pelos centros de controlo e prevenção de doenças (CDC), a principal agência de saúde pública dos EUA, e depois prorrogada várias vezes em nome da luta contra a propagação da covid-19.

Mas o Supremo Tribunal decidiu em junho que qualquer nova extensão deveria ser decidida pelo Congresso.

Por outro lado, o dinheiro previsto pelo Governo federal para ajudar os inquilinos em dificuldades a pagar as rendas está a demorar a chegar às contas bancárias devido a procedimentos burocráticos complexos.

Por exemplo, dos 46.000 milhões de dólares que o Governo reservou, dos quais 25.000 milhões foram desembolsados no início de fevereiro, apenas 3.000 milhões chegaram aos destinatários.

Agência Lusa / MJC