Poucas horas depois da chegada da lava vinda do vulcão Cumbre Vieja ao mar, o presidente da região espanhola das Canárias não tem dúvidas: "A paisagem é totalmente distinta em toda a sua extensão, só resta lava, a paisagem será outra, a ilha de La Palma é outra ilha".

Estas foram as palavras de Ángel Torres, presidente da região, que falou à rádio Cope dos vários danos provocados pela situação, numa altura em que o magma já chegou a mais de 700 edifícios, ameaçando muitos outros.

A lava continua a correr para o mar, aconteceu normalmente. Há pessoas fechadas em casa por causa da toxicidade do ar. O que esperamos é que evolua de forma natural e que o mar de lava deixe de se expandir e de afetar mais casas. Há danos tremendos nas estradas, irreparáveis em algumas zonas agrícolas e esperamos que a lava agora vá sempre em direção ao mar", explicou.

Com uma temperatura superior a mil graus Celsius, a lava chegou ao mar quando a água tinha uma temperatura média de 23 graus Celsius, o que provocou uma séria de reações químicas, entre as quais a formação de gases que podem ser perigosos para a saúde.

Quanto ao vulcão, Ángel Torres afirma que a sua atividade segue "normal", uma vez que os eventos sísmicos não aumentaram nas últimas horas, ainda que a lava se tenha tornado mais líquida e mais rápida.

Desde 19 de setembro que todas as Canárias dormem pouco, e as palmeiras encolheram de medo e de desgosto", afirma, traçando um cenário do local.

Agora, segundo o presidente das Canárias, é tempo de começar a pensar na reconstrução, nomeadamente na vida das centenas de pessoas que ficaram sem casa ou trabalho, o que o leva a admitir que "o pior está por chegar".

Estamos nos primeiros dias de choque, depois vem a assimilação, por isso digo que o mais complicado está por chegar", refere, dando o exemplo de Todoque, uma localidade com 1.400 habitantes que ficou totalmente dizimada.

António Guimarães