As forças pró-governamentais assumiram o controlo da região de Masaya, no sul da Nicarágua, onde os manifestantes ergueram barricadas desde o início dos protestos contra o presidente Daniel Ortega, a 18 de abril.

Hoje [terça-feira], foi a vez de Monimbo, Masaya, encontrar ruas livres de bloqueios, onde as pessoas podem movimentar-se livremente", publicou o governo da Nicarágua na sua página na Internet.

"Este distrito histórico celebra sua liberdade, depois de ter sido sequestrado por terroristas financiados pela direita golpista", pode ler-se na mesma nota.

O presidente da Associação Nicaraguense dos Direitos Humanos (ANPDH), Alvaro Leiva, confirmou à agência de notícias France-Presse (AFP) que, após o "uso excessivo da força" contra os manifestantes, a polícia e as milícias assumiram o controlo da cidade.

Mil homens da polícias de choque e paramilitares que estavam fortemente armados entraram no início da manhã em Masaya, a cerca de trinta quilómetros da capital, Manágua.

Pelo menos duas pessoas foram mortas no ataque, "uma mulher idosa e um polícia", disse à AFP a presidente do Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh), Vilma Núñez.

Uma caça indiscriminada foi lançada contra o povo, há incursões nas casas, eles estão a arrombar portas, estão a atirar pessoas e os seus pertences na rua", acrescentou.

O acesso à cidade tinha sido bloqueado e os jornalistas impedidos de passar: alvejada pelos disparos, uma equipe da AFP foi forçada a recuar quando chegou à periferia da cidade.

"Eles atacam Monimbo! As balas atingem a igreja Maria Magdalena, onde o padre se refugiou", escreveu o bispo auxiliar de Manágua na rede social Twitter, Silvio Baez, apelando ao Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, a "acabar com este massacre".

Nos vídeos e gravações publicados nas redes sociais, pode-se ouvir fogo pesado e gritos. Moradores e jornalistas locais relataram a presença de homens encapuzados equipados com armas de assalto Kalashnikov e M16, bem como franco-atiradores.