O Presidente da Nicarágua atacou a União Europeia (UE), que acusou de ter "uma maioria" de deputados "fascistas, nazis", numa intervenção proferida na segunda-feira, um dia depois de ser reeleito no cargo.

Para Daniel Ortega, "aquilo a que agora se chama União Europeia tem uma maioria de parlamentares fascistas, nazis".

No Parlamento Europeu, a maioria é fascista", acusou, durante um ato oficial transmitido pela televisão, em declarações citadas pela agência de notícias France-Presse (AFP).

"Já é tempo de a Europa entender de uma vez por todas que nestas terras governa o povo nicaraguense e não os governos europeus", acrescentou.

Ortega criticou ainda Espanha, onde "os descendentes do regime franquista, que massacraram e assassinaram o povo espanhol" permanecem e ocupam "ainda espaços de poder".

A irmandade com [Adolf] Hitler, os irmãozinhos de Hitler, estão no poder, e agora querem formar uma internacional do fascismo", acrescentou.

Ortega disse ainda que o Presidente de Estados Unidos, Joe Biden, "devia pedir perdão pelos crimes cometidos na Nicarágua e no mundo" e afirmou que "os governantes norte-americanos" deviam ser julgados pelo Tribunal Penal Internacional.

O antigo guerrilheiro sandinista, de 75 anos, no poder desde 2007, ganhou as eleições de domingo na Nicarágua com 75,92% dos votos, quando estavam apurados 97,74% dos boletins, de acordo com o Conselho Supremo Eleitoral.

Os Estados Unidos e a UE condenaram as eleições na Nicarágua, após a detenção de 39 adversários, incluindo os sete principais potenciais rivais de Ortega.

Na segunda-feira, a UE considerou que estas eleições foram o último passo para a conversão do país “num regime autocrático”, pelas mãos de Daniel Ortega.

Ortega eliminou toda a concorrência eleitoral credível, privando o povo nicaraguense do direito de eleger livremente os seus representantes”, afirmou o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, em comunicado.

Para o Alto Representante da UE para a Política Externa, “a integridade do processo eleitoral foi esmagada pelo encarceramento sistemático, pelo assédio e intimidação dos pré-candidatos presidenciais, líderes da oposição, líderes estudantis e rurais, jornalistas, defensores dos direitos humanos e representantes empresariais”.

Os Estados Unidos ameaçaram também impor novas sanções à Nicarágua, na sequência das eleições de domingo, classificadas por Washington como antidemocráticas, e acusaram Ortega de ter detido "todos os principais candidatos" ao escrutínio.

O Governo Ortega-Murillo privou os nicaraguenses de qualquer escolha real, dissolveu todos os verdadeiros partidos da oposição e deteve todos os principais candidatos presidenciais”, disse o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, que pediu a libertação imediata e incondicional dos opositores ao regime da Nicarágua.

Além do cargo de Presidente, 4,4 milhões de nicaraguenses foram chamados no domingo às urnas para eleger um vice-Presidente, 90 deputados da Assembleia Nacional e 20 do Parlamento Centro-Americano.

Reeleita vice-Presidente, Rosario Murillo, mulher de Ortega, defendeu que "as eleições foram soberanas".

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