O médico responsável da Organização Mundial da Saúde pelo combate à covid-19 na Europa afirmou esta segunda-feira que o confinamento não deve ser o principal método para conter a propagação do novo coronavírus.

Em entrevista ao jornal The Spectator, David Nabarro disse que “os confinamentos têm apenas uma consequência que nunca deve ser subestimada: tornar os pobres muito mais pobres"

A OMS, diz, não defende os “os confinamentos como principal meio do controlo do vírus".

As declarações de Nabarro estão na mesma linha do diretor-executivo da Organização, Mike Ryan que, na semana passada, defendeu que o encerramento das fronteiras entre países deve ser evitado porque cria consequências negativas nas populações.

Nabarro expressou dois motivos para defender a sua tese. Por um lado, o impacto nos serviços ligados ao turismo e, por outro, a segurança alimentar.  “Se olharmos para o que aconteceu com a indústria do turismo nas Caraíbas, por exemplo, ou no Pacífico vemos os efeitos negativos das pessoas não tirarem férias.”

Veja-se o que aconteceu com os pequenos agricultores em todo o mundo. Aquilo que está a acontecer com os níveis de pobreza. Parece que podemos muito bem ter uma duplicação da pobreza mundial no próximo ano. Podemos muito bem ter pelo menos o dobro da desnutrição infantil”, afirmou.

A pandemia de covid-19, transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro na China, já provocou mais de um milhão e setenta e quatro mil mortos e mais de 37,2 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço da agência France Presse.