A brigada antiterrorista francesa anunciou esta sexta-feira que foi chamada depois de um professor ter sido decapitado numa vila próxima de Paris, tendo o suposto agressor sido gravemente ferido por um tiro da polícia.

A investigação deste caso continua, perto de uma escola na vila de Conflan Saint-Honorine, nos arredores de Paris, mas as autoridades suspeitam de “assassínio em conexão com uma organização terrorista” e “associação criminosa terrorista”, segundo a brigada antiterrorista.

O alegado suspeito terá gritado “Allah 'Akbar” ("Deus é grande" em árabe) quando foi baleado pela polícia. Fonte da polícia, citada pela AFP, explicita que a vítima era um professor de História, que terá exibido caricaturas do profeta Maomé durante uma disciplina sobre liberdade de expressão.

De acordo com uma fonte da investigação a este homicídio, a polícia também está interessada numa fotografia na rede social Twitter, através de um utilizador que, entretanto, encerrou a conta, da cabeça decapitada da vítima.

As autoridades estão a tentar perceber se esta fotografia foi publicada pelo alegado autor do homicídio ou por outra pessoa.

A AFP dá conta de que a fotografia acompanhava uma mensagem dirigida ao presidente francês, Emmanuel Macron, apelidado de “o líder dos infiéis”.

“Executei um dos cães infernais que ousou menosprezar Muhammad [o profeta Maomé]”, explicitaria esta mensagem.

França ainda tem na memória o ataque à publicação satírica Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, por causa da publicação de caricaturas do profeta Maomé.

No final de setembro um homem com uma arma branca atacou os funcionários de uma agência de notícias que trabalharam no edifício onde estava sediada a publicação satírica, em Paris. O ataque fez vários feridos.

O autor deste crime, um cidadão paquistanês, foi detido pouco depois e confessou o ataque.

Macron classifica decapitação como "ataque terrorista islâmico"

O professor de História foi vítima de um “característico ataque terrorista islâmico”, considerou o Presidente francês, Emmanuel Macron, acrescentando que “o obscurantismo não vencerá”.

O chefe de Estado francês considerou, citado pela AFP, que o homicídio de um homem, nas imediações do colégio de Bois d'Aulne, em Conflans-Sainte-Honorine, arredores da capital do país, é um “característico ataque terrorista islâmico”, no entanto, “o obscurantismo não vencerá”

“Um dos nossos compatriotas foi morto hoje porque ensinou (…) a liberdade para acreditar e não acreditar”, acrescentou Macron, desta vez citado pela Associated Press AP.

O presidente francês vincou que este ataque não pode dividir o país, uma vez que, na opinião de Macron, é esse o objetivo dos extremistas: “Temos de nos unir enquanto cidadãos.”

/ CE/AM - notícia atualizada às 22:29