O primeiro-ministro da Moldávia, Ion Chicu, anunciou esta quarta-feira a demissão do seu Governo, um dia após a posse da Presidente eleita do país, Maia Sandu, informou a imprensa online moldava.

A renúncia de Chicu e do seu gabinete foi uma das reivindicações da nova Presidente, que quer realizar eleições legislativas antecipadas.

O Governo demite-se. Quero agradecer à presidente do Parlamento, Zinaida Grechana, e ao Presidente (cessante), Igor Dodon”, disse Chicu, após reunir-se com os dois políticos.

Agora, o objetivo principal é a dissolução do Parlamento, acrescentou.

Como sabem, existem duas formas de se dissolver o Parlamento e convocar novas eleições e uma delas é a demissão do Governo”, afirmou, citado pelo portal Publica.md.

O Governo de Ion Chicu foi formado em 14 de novembro de 2019.

Maia Sandu, de 48 anos, ex-primeira ministra moldava e líder do partido europeísta Ação e Solidariedade (PAS), ganhou a segunda volta das eleições presidenciais moldavas, realizadas em 15 de novembro, contra o pró-russo Igor Dodon, cujo partido socialista continua, no entanto, a manter o controlo do Parlamento da Moldávia.

O Parlamento decidiu, entretanto, diminuir os poderes da Presidente, aprovando leis como a que transfere o controlo dos serviços de segurança (SIS) para os deputados.

A decisão parlamentar foi duramente criticada pela Presidente eleita e gerou protestos em massa em Chisinau, o que acabou por levar o Tribunal Constitucional a suspender a emenda legislativa que restringia os poderes do chefe de Estado.

A Moldávia está dividida entre os adeptos da reaproximação a Moscovo e os que apoiam a integração europeia, em particular através das ligações do país com a vizinha Roménia.

A chegada ao poder de Maia Sandu assinalou um revés para a Rússia, ansiosa por preservar a sua influência sobre o país e cujo exército está implantado na Transdniestria, um território pró-russo que se separou da Moldávia.

O regime de Putin apoiou abertamente o Presidente moldavo anterior, Igor Dodon.

A ex-primeira-ministra pró-europeia, Maia Sandu, norteou a sua campanha às presidenciais com a luta contra a corrupção neste país com 3,5 milhões de habitantes, que é um dos mais pobres da Europa.

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