O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos impediu um avião vindo de Cabul e que transportava norte-americanos e portadores de cartão de residente de aterrar. Segundo a Project Dynamo, organização sem fins lucrativos que organizou o voo, mais de 100 pessoas viram a entrada no país ser barrada.

Eles não vão permitir que um voo charter entre nos Estados Unidos", afirmou Bryan Stern à agência Reuters, falando em específico da agência responsável pela proteção da fronteira.

O grupo fretou um charter da Kam Air, uma companhia aérea privada do Afeganistão. De Cabul começou por seguir para Abud Dhabi, transportando 117 pessoas, entre as quais 59 crianças. Na capital dos Emirados Árabes Unidos ficou 14 horas, antes de seguir viagem rumo aos Estados Unidos.

A Project Dynamo é uma das várias organizações que surgiram formadas por veteranos, oficiais e reformados do exército norte-americano. Em concreto, dedicaram-se ao longo do mês de agosto à retirada de milhares de pessoas da capital afegã, tomada pelos talibãs a 15 de agosto.

Segundo uma pessoa que trabalha no setor da imigração, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos não estava a par do voo. Além disso, referiu, o governo costuma demorar na verificação das intenções deste tipo de voos antes de autorizar as aterragens.

Tudo isto acontece quando o presidente, Joe Biden, já afirmou várias vezes que uma das prioridades do país é repatriar os americanos e detentores de visto que não tenham conseguido sair a tempo do Afeganistão (até 1 de setembro).

Um funcionário do Departamento de Estado confirmou que cerca de cidadãos dos Estados Unidos ainda se encontram no Afeganistão, tendo a intenção de deixar o país.

Bryan Stern acrescentou que, entre os 117 passageiros do voo da Kam Air, 28 eram norte-americanos e 83 tinham visto de residência. No avião seguiam ainda seis afegãos a quem foi concedido um visto especial por parte dos serviços de imigração, depois de terem colaborado com o governo norte-americano ao longo dos 20 anos de guerra no Afeganistão.

A organização começou por transferir todas estas pessoas para um voo da Ethiopian Airlines, ao qual foi permitida a aterragem em Nova Iorque. Mas os planos de voo acabaram por mudar e as autoridades alteraram o destino para Washington, tudo isto antes de negarem de vez a aterragem do aparelho em solo norte-americano.

Eu tenho um grande, bonito, gigante e enorme Boeing 787 à minha frente. Tenho tripulação. Tenho comida", afirmou Bryan Stern, que lamenta o impasse da situação.

Entre os dias 15 e 31 de agosto foram retiradas do Afeganistão mais de 120 mil pessoas. Destas, muitas acabaram por se deslocar para os Estados Unidos.

António Guimarães