A notícia caiu como uma bomba no universo dos media: a prestigiada revista alemã Der Spiegel revelou na quinta-feira que Claas Relotius, um dos seus mais conceituados jornalistas, falsificou histórias durante vários anos. Esta sexta-feira, ainda no rescaldo da polémica, o repórter disse que ia entregar os quatro prémios de Repórter do Ano que ganhou ao longo da carreira.

De acordo com a Der Spiegel, Relotius “inventou histórias e protagonistas” em pelo menos 14 dos 60 artigos que que foram publicados pela revista, quer na sua edição imprensa quer na online.

Relotius, que trabalhou para a revista durante sete anos, admitiu a fraude e demitiu-se.

O jornalista alemão, de 33 anos, ganhou vários prémios pelo seu trabalho de investigação, incluindo o prémio de Jornalista do Ano da CNN, em 2014.

Ainda no início do mês, foi distinguido pela quarta vez com o prémio de Repórter do Ano na Alemanha pela história que escreveu sobre um menino sírio chamado Mouwiya, que acreditava que o seu graffiti anti-governo tinha provocado a guerra civil. O artigo foi muito elogiado pelo júri pela sua “leveza, poesia e relevância”.

Relotius explicou na altura que tinha entrevistado o rapaz via whatsapp, mas agora tudo pode não ter passado de uma invenção. Pelo menos são essas as suspeitas da Der Spiegel, que está a investigar se a entrevista aconteceu e se o rapaz realmente existe.

O jornalista tem estado incontactável, mas já informou os organizadores dos prémios alemães de Repórter do Ano, por telefone, que ia entregar os troféus que recebeu.

Entretanto, a CNN já fez saber que lhe ia retirar as distinções.

O diretor da Der Spiegel, Steffen Klusmann, admitiu que a revista ainda não sabe o número exato de artigos falsos que estão em causa.

As falsificações foram descobertas por Juan Moreno, jornalista e colega de Relotius. Moreno trabalhou com Relotius num artigo sobre a fronteira entre o México e os Estados Unidos e começou a suspeitar de alguns detalhes da reportagem do colega.

Depois de os seus chefes na Der Spiegel não lhe terem dado ouvidos, Moreno decidiu investigar as suspeitas às suas custas. O jornalista contactou duas fontes citadas pelo colega no artigo que lhe confirmaram que nunca se tinham encontrado com o jornalista.

A revista, que vende cerca de 725.000 cópias impressas por semana, e que tem cerca de 6,5 milhões de leitores na sua edição online, publicou um artigo na quinta-feira em que se mostrou chocada com o sucedido, pedindo desculpa aos leitores.

E enquanto o universo dos media se mostrou chocado com estas revelações, a polémica foi aproveitada por organizações populistas, que alegaram que esta era a prova de que a imprensa divulgava notícias falsas.

Sofia Santana