O departamento de polícia da cidade norte-americana de Louisville decidiu despedir dois polícias envolvidos na morte de Breonna Taylor, uma jovem negra de 26 anos baleada várias vezes por polícias.

Os despedimentos foram anunciados esta quarta-feira pela autarquia, juntamente com a decisão de substituir a chefia da polícia da cidade pela antiga chefe da polícia da cidade de Atlanta.

Erika Shields será a quarta pessoa a liderar o departamento da maior cidade do estado do Kentucky desde a morte de Taylor em março de 2020.

Comprometo-me a começar o meu trabalho aqui com o objetivo de reconstruir a confiança da comunidade na polícia, confiança que já estava desgastada antes da morte de Breonna Taylor", afirmou Erika Shields, sublinhando que a violência armada na cidade, que teve um recorde de 173 homicídios em 2020, será uma das principais guerras a travar.

O último ano mostrou-me que a polícia tem um longo caminho a percorrer aqui", disse Shields que começa o novo posto no dia 19 de janeiro.

A confiança entre a polícia e a comunidade negra da cidade tem vindo a deteriorar-se desde a morte de Taylor, que gerou meses de protestos, reformas policiais e a demissão do chefe de longa data da cidade, Steve Conrad. Dois chefes interinos, incluindo a primeira mulher negra à frente do departamento, serviram desde que Conrad foi demitido em junho.

Taylor, uma profissional de saúde negra de 26 anos, foi baleada várias vezes por polícias que entraram em sua casa, com um mandado de busca, no âmbito de uma investigação de tráfico de droga, em 13 de março, provocando comoção e indignação popular, num ano em que os Estados Unidos foram abalados por violentas manifestações contra a violência policial.

No tiroteio, o namorado de Taylor, Kenneth Walker, disparou quando a polícia entrou em casa, atingindo um dos polícias, tendo chegado a ser acusado de tentativa de homicídio. Posteriormente os procuradores retiraram a acusação.

Em 15 de setembro, as autoridades da cidade de Louisville abriram um processo contra os três polícias, a pedido da mãe de Taylor, concordando em pagar-lhe 12 milhões de dólares (cerca de 10 milhões de euros) e em promulgar reformas no sistema policial local.