Mais de 90% da cidade da Beira, a capital da província moçambicana de Sofala, ficou destruída, depois da passagem do ciclone Idai, revela a Cruz Vermelha. Segundo as autoridades locais, só em Moçambique já morreram em 68 pessoas, 55 na Beira e 13 em Dondo.

A escala de danos causados ​​pelo ciclone Idai que atingiu a cidade moçambicana da Beira é maciça e horripilante", afirmou a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) em comunicado.

O ciclone Idai atingiu a cidade da Beira, uma das maiores de Moçambique, na quinta-feira, causando cheias e ventos fortes, que destruiram casas e estradas.

A situação é terrível. A escala de devastação é enorme. Ficou quase tudo destruído. As linhas de comunicação estão cortadas e as estradas ficaram destruídas. Algumas comunidades estão completamente isoladas", disse Jamie LeSueur, da Cruz Vermelha, através de um comunicado.

A Cruz Vermelha afirma que o número de mortos pode ser maior, uma vez que o nível de devastação é muito grave.

No domingo, uma barragem de grande dimensou explodiu e cortou a última estrada que dá acesso à cidade da Beira, onde vivem cerca de 530 mil pessoas.

Depois de atingir Moçambique, o ciclone Idai segiu para oeste, em direção ao Zimbabué e ao Malaui, afetando mais alguns milhares de pessoas, em particular nas zonas orientais da fronteira com Moçambique.

A passagem do ciclone Idai por Moçambique, Zimbabué e Malaui já fez, no total, pelo menos 150 mortos e centenas de desaparecidos. Outros milhares de pessoas estão isolados, sem estradas e comunicações.

O ciclone Idai afetou mais de 1,5 milhões de pessoas naqueles três países, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

As autoridades dos países afetados alertam para o agravamento das cheias nos próximos dias devido à continuação de chuvas fortes, à saturação dos solos e às descargas de barragens.

Não há registo de vítimas portuguesas, até ao momento

O ministro dos Negócios Estrangeiros disse no domingo que "não há até ao momento" registo de portugueses mortos ou feridos devido à passagem do ciclone Idai na Beira, Moçambique, mas admitiu a existência de estragos "em bens de portugueses".

Em declarações à agência Lusa, Augusto Santos Silva salientou que "não há registo de cidadãos portugueses que se encontrem entre as vítimas desta tragédia".

Na região da Beira devem residir cerca de 2.500 portugueses, de acordo com o gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

Temos informações de estragos consideráveis no nosso consulado e também registo de pessoas que se dirigem ao nosso Gabinete de Emergência Consular, dando conta também de estragos nas respetivas casas e bens", afirmou Augusto Santos Silva, acrescentando que não há igualmente "informações sobre desaparecidos" entre a comunidade portuguesa.

O ministro dos Negócios Estrangeiros assinalou que "as comunicações estão ainda muito difíceis" e que "só hoje [domingo] de madrugada, é que o primeiro voo pôde fazer-se", porque o aeroporto da Beira, umas das maiores cidades de Moçambique, esteve fechado.

A abertura ao aeroporto permitiu colocar na Beira "uma equipa de três pessoas" da embaixada e do consulado de Portugal em Maputo para, "conjuntamente com o Cônsul-geral e os funcionários do consulado na Beira, proceder ao levantamento dos estragos" causados pelo ciclone que, "durante bastante tempo", isolou a Beira, ainda com "estradas que têm troços intransitáveis" e com comunicações "muito difíceis".

A equipa avançada vai também contactar os portugueses que vivem na região da Beira para apurar "as necessidades mais prementes e as perdas da comunidade portuguesa residente na Beira, assim como o contacto com as autoridades moçambicanas, para perceber de que forma é que Portugal pode ajudar Moçambique, quer do ponto de vista da emergência, quer da reconstrução, visto que certamente haverá muitas dificuldades, como água e alimentos", acresentou Augusto Santos Silva.

É muito útil que, deste primeiro levantamento, possam resultar áreas em que Portugal possa apoiar a República de Moçambique", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, adiantando que deu indicações à embaixada de Portugal em Maputo para "participar ativamente neste movimento de solidariedade que está a ser gerado em Moçambique, de forma a apoiar com bens de primeira necessidade os moçambicanos que vivem nas regiões mais assoladas nestas tempestades".