O suposto mentor de um desvio multimilionário, que levou à condenação do ex-primeiro-ministro malaio, está escondido em Macau desde 2018 numa propriedade de um membro do Partido Comunista Chinês, segundo uma investigação publicada esta terça-feira pela Al Jazeera.

De acordo com a Al Jazeera, que não identifica as fontes, mas que diz serem proveninentes da Malásia e Macau, “o fugitivo vive na capital asiática do jogo desde pelo menos fevereiro de 2018, numa casa propriedade de um alto membro do Partido Comunista Chinês”.

O malaio está em fuga há quase cinco anos e é procurado pelos Estados Unidos, Malásia e Singapura. Questionado pela agência Lusa sobre se Jho Low estaria escondido em Macau, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos respondeu sucintamente: “Recusamo-nos a comentar”.

As autoridades da Malásia têm denunciado frequentemente que o suposto mentor de um desvio multimilionário, está escondido em Macau e criticam a falta de cooperação do Governo do antigo território administrado por Portugal, que continua a desmentir a presença de Low Taek Jho, também conhecido como Jho Low, no território.

O escândalo internacional ligado ao desvio de um fundo soberano no valor de cerca quatro mil milhões de euros culminou no final de julho a sentença de 12 anos de prisão para o ex-primeiro-ministro da Malásia Najib Razak, depois de várias pessoas espalhada pelo mundo terem sido condenadas.

O fundo foi criado em 2009 com o objetivo de atrair investimento estrangeiro e criar uma zona de negócios em Kuala Lumpur, mas acabou por acumular perdas de 42 mil milhões de ringit (cerca de 7,7 mil milhões de euros).

Contudo, o suposto mentor do desvio multimilionário ainda se encontra livre: o consultor do fundo estatal da Malásia 1 Malaysia Developmente Bank (1MDB), Jho Low, que segundo a Al Jazeera é “o homem que potencialmente detém todos os segredos sobre quanto dinheiro foi roubado, quem o levou e quem deu as ordens”.

Jho Low terá utilizado o dinheiro investido no fundo para adquirir bens de luxo como joias, avião de luxo, iate e até pinturas de Vincent Van Gogh e Claude Monet.

As gravações de Jho Low apresentadas em duas vídeo reportagens, obtidas pela Al Jazeera, são de uma série de conversas telefónicas que teve com o antigo governo malaio, liderado por Mahathir Mohamad, em maio de 2018.

Durante as chamadas telefónicas, Jho Low revela que está na China e discute a possibilidade de um encontro com investigadores do 1MDB da Malásia em Hong Kong ou em Macau. Mas após a reunião se marcada o suspeito foge para os Emirados Árabes Unidos, por dizer que não era seguro.

Segundo a Al Jazeera tem viajado ao longo dos anos por várias cidades como Banguecoque, Dubai e Ahmedabad, na Índia, mas que a sua ‘base’, desde fevereiro de 2018, é a capital mundial do jogo, Macau.

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