Uma mulher de 50 anos foi detida, domingo, na Austrália, acusada de ser a responsável por contaminar morangos com agulhas, em setembro deste ano. De acordo com o site news.com.au, o caso de My Ut Trinh, conhecida como Judy, está a ser encarado como "vingança". Se for condenada, arrisca uma pena de até dez anos de prisão.

Trinh é uma refugiada que mora há mais de 20 anos no país e trabalhava numa quinta da marca Berry Licious/Berry Obsession, em Brisbane, no Estado de Queensland. De acordo com uma emissora local, a mulher, que ocupava o cargo de supervisora, teria problemas com o tratamento que recebia no trabalho e contava aos colegas que "gostaria de derrubá-los" e "levá-los à falência". Por isso, terá colocado pequenas agulhas de costura dentro de morangos durante o processo de embalagem da fruta na unidade de produção.

A juíza Christine Roney, responsável pelo processo, confirma que o crime foi motivado por despeito ou vingança.

Ela passou meses a colocar objetos de metal na fruta", disse a magistrada, citada pela agência de notícias Fairfax.

Os investigadores desconfiavam do envolvimento de My Ut Trinh desde 12 de setembro, mas apenas depois de dois meses de uma meticulosa investigação conseguiram identificar traços de ADN da mulher numa caixa de fruta contaminada. A supervisora é agora acusada de sete crimes de contaminação de produtos e pode enfrentar até dez anos de prisão.

O advogado My Ut Trinh, Michael Cridland, chegou a entrar com um pedido de fiança, mas retirou-o após a juíza responsável pelo caso avisar na altura que ainda era muito cedo para tal, uma vez que a motivação do crime ainda não era totalmente conhecida.

A investigação teve início no dia 9 de setembro depois de um homem alegar ter consumido um morango com uma agulha dentro. Outros relatos começaram a surgir e supermercados de todo o país decidiram retirar o produto das prateleiras e vários produtores locais foram obrigados a deitar fora toneladas de morangos, além de suspenderem a produção desta fruta. 

A Associação de Produtores de Morangos de Queensland (QSGA, na sigla em inglês) afirma que My Ut Trihn não foi a única a colocar agulhas na fruta. A associação exige que as restantes pessoas que o fizeram enfrentem iguais acusações.

As únicas vítimas foram os produtores de morangos de Queensland e, em certa medida, outros produtores e exportadores de frutas australianos”, pode ler-se num comunicado da Associação de Produtores de Morangos de Queensland.

Desde setembro, a polícia recebeu 186 denúncias no Estado de Queensland, onde pessoas tiveram dores de estômago após ingerirem morangos e foram conduzidas ao hospital. As autoridades não confirmam se todas as ocorrências foram responsabilidade de Trinh, mas continuam a investigar o caso.

De acordo com a polícia de Queensland, a mulher será ouvida em tribunal esta segunda-feira.  A juíza negou-lhe a possibilidade de fiança porque Trinh poderia ser vítima de vingança da comunidade.