O fotojornalista e ativista do Bangladesh Shahidul Alam foi libertado na terça-feira ao final de mais de três meses na cadeia por "declarações provocatórias", anunciaram as autoridades do país.

O premiado fotojornalista foi detido em casa, em agosto, por polícias à paisana, depois de ter afirmado numa entrevista à televisão Al Jazira que a primeira-ministra, Sheikh Hasina, estava a usar “força bruta” contra os protestos para se manter no poder.

Shahidul Alam comentava os protestos em massa que decorreram durante mais de uma semana na capital do país, Daca, em agosto. Milhares de jovens exigiam mais segurança nas estradas, na sequência da morte de dois estudantes atropelados.

À saída da prisão, o fotógrafo disse à agência de notícias France-Presse (AFP) que espera que a sua libertação seja um "sinal de liberdade para muitos outros" também detidos durante os protestos.

"É uma sensação fantástica estar livre num país livre, a respirar ar livre. No entanto, anseio liberdade para todos os outros", acrescentou.

A organização de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional já havia pedido a imediata libertação de Alam, de 63 anos, considerando que a sua detenção “marca uma escalada perigosa da repressão pelo Governo”.

Shahidul Alam é nomeadamente o fundador de uma escola de fotojornalismo de Daca, a Patshala South Asian Media Academy, que já formou centenas de alunos.

Em mais de 40 anos de carreira, trabalhou para grandes títulos estrangeiros como o New York Times, a Time e a National Geographic.