A polícia da Bielorrússia deteve 265 pessoas, incluindo meia centena de jornalistas, durante os protestos antigovernamentais ocorridos na quinta-feira na capital daquele país, Minsk, divulgou hoje a organização de direitos humanos bielorrussa Vesná.

A organização publicou no seu ‘site’ oficial uma lista com os nomes de todos os detidos, que deverão hoje comparecer diante de um juiz.

A Vesná alertou que o número de pessoas detidas poderá ainda aumentar.

Entre os detidos constam cerca de 50 jornalistas, muitos dos quais foram, entretanto, libertados, segundo confirmou a Associação de Jornalistas da Bielorrússia (APB).

A mesma associação indicou que quatro jornalistas permanecem detidos, depois de terem recusado entregar os respetivos telemóveis à polícia.

A APB informou ainda que um jornalista sueco, identificado como Paul Hansen, foi deportado, estando agora proibido de entrar na Bielorrússia durante um período de cinco anos.

Perante tal situação, a APB exigiu que a Comissão de Investigação nacional abra um processo por obstrução ao trabalho da comunicação social, um delito previsto no código penal bielorrusso.

A associação de jornalistas exigiu igualmente que os responsáveis por tais detenções sejam afastados de funções, "porque, se permanecerem nos respetivos postos, irão obstruir a investigação preliminar e o processo legal", bem como irão continuar com estas atividades “criminosas”.

“Os agentes policiais destruíram deliberadamente as gravações de vídeo que pertencem, ao abrigo da lei de direitos de autor, aos jornalistas e aos meios de comunicação social. Tudo isto acompanhado por ameaças de danos ou de destruição dos equipamentos dos jornalistas", concluiu a APB.

A Bielorrússia tem sido palco de um movimento de contestação inédito desde as eleições presidenciais realizadas em 09 de agosto.

No poder há 26 anos, o Presidente Alexander Lukashenko enfrenta há várias semanas protestos contra a sua reeleição para um sexto mandato, que a oposição bielorrussa considera fraudulenta.

Mais de sete mil pessoas foram detidas e pelo menos três manifestantes já morreram durante os protestos, que têm sido fortemente reprimidos pelas forças de segurança.

/ AM