O Ministério Público italiano acusou hoje 18 pessoas no âmbito de uma vasta investigação à máfia calabresa, a 'Ndrangheta, considerada a mais forte atualmente, que passa a ter 479 nomes na lista de alegados mafiosos investigados.

Dos 18 novos suspeitos, 11 foram detidos na província de Florença (norte) e no município calabrês de Vibo Valentia (sul), estando acusadas de gerir o tráfico de drogas desde a Albânia ao Brasil, e sete outras foram impedidas de permanecer nas suas cidades e residências.

Todos foram acusados de pertencer a uma organização criminosa e de fazer tráfico internacional de drogas, informou a imprensa local.

As detenções, feitas durante a madrugada de hoje, terminaram a fase preliminar de uma grande investigação, batizada como “Rinascita-Scott”, que envolve 479 suspeitos, incluindo políticos, advogados e traficantes, de fazerem parte dos poderosos clãs da Calábria.

Os ‘carabineiros’ (polícia militarizada) notificaram hoje os 479 suspeitos, muitos dos quais estão em prisão preventiva, do encerramento da investigação preliminar, que antecede uma eventual acusação formal e um julgamento.

A primeira grande operação da investigação - uma das maiores operações policiais contra o crime organizado jamais feitas - aconteceu em dezembro, com a detenção de 334 pessoas ligadas à 'Ndrangheta em Itália, na Suíça, na Alemanha e na Bulgária.

Entre os detidos contavam-se políticos como Giancarlo Pittelli, deputado do partido de Silvio Berlusconi, e o ex-presidente da câmara da cidade de Pizzo Calabro, Gianluca Callipo.

O procurador-geral de Catanzaro (sul), Nicola Gratteri, que lidera as investigações, garantiu que se tratou da operação com mais detidos depois da que levou ao julgamento histórico da máfia siciliana, Cosa Nostra, em meados da década de 1980.

O objetivo das autoridades é desmantelar o clã Mancuso di Limbadi, considerado o mais influente na área de Vibo Valentia.

Gratteri explicou hoje que o julgamento será realizado na Calábria e que está a ser ponderada a instalação de uma estrutura no pátio da prisão de Catanzaro para permitir a receção dos muitos acusados.

A intenção é dar início às audições preliminares ao julgamento no final de julho, no fim das quais será decidido se há julgamento ou se o processo é arquivado.

/ AM