O lusodescendente Devin Nunes, republicano que liderava a comissão de investigação às alegadas ligações de Donald Trump à Rússia durante a campanha para as presidenciais norte-americanas, abandonou a investigação, segundo comunicado divulgado pela comissão, nesta quinta-feira.

"O presidente Nunes tomou a decisão que considerou necessária para proteger a viabilidade da sua comissão [Comissão de Serviços de Informação da Câmara dos Representantes] e permitir que a investigação prossiga", justificou o congressista Richard Burr, citado pela agência Reuters.

Devin Nunes, que, todavia, continuará a presidir à comissão, estava a ser acusado pelos democratas de favorecer e proteger o presidente dos Estados Unidos na investigação.

Também em comunicado, o lusodescendente disse que tomara a decisão depois de "vários grupos ativistas de esquerda" terem apresentado queixas sobre si ao Gabinete de Ética do Congresso.

Nunes disse que essas queixas eram "completamente falsas e motivadas politicamente", mas que "era do interesse" da comissão que ele se afastasse para o trabalho poder continuar.

Devin Nunes integrou a equipa de transição do magnata do imobiliário antes de este ter assumido, a 20 de janeiro, a presidência dos Estados Unidos.

Há duas semanas, o lusodescendente foi à Casa Branca e anunciou, em conferência de imprensa, de que tinha informado Donald Trump sobre a possibilidade de as suas comunicações terem sido intercetadas, de “forma acidental”, durante operações de escuta de rotina a outros líderes políticos.

A imparcialidade de Devin Nunes, que não revelou como obteve tais dados, adiantando apenas que os tinha recebido de fonte anónima com a qual conversou na Casa Branca, foi de imediato questionada, inclusive por parte dos republicanos.

Catarina Machado