A youtuber cubana Dina Stars foi esta terça-feira levada pela polícia. Tudo aconteceu enquanto a mulher dava uma entrevista em direto para um canal de televisão espanhol.

O episódio acontece numa altura de grande conturbação política no país da América Central, depois de vários opositores do regime terem saído à rua a pedir liberdade, situação despoletada por aquilo que dizem ser uma má gestão da crise da covid-19 e pela consequente crise económica.

Assim que entrou em direto, a primeira coisa que perguntaram a Dina Stars foi se tinha medo de falar em direto para Espanha. A youtuber disse que não, mas pouco depois explicou que tinha de interromper a entrevista porque tinha a polícia à porta, como se pode ver no vídeo abaixo.

Tenho de ir. Não sei se me vão prender, pediram-me que os acompanhasse", referiu.

O vídeo está já a ser amplamente partilhado nas redes sociais, quando os opositores do regime se queixam que dezenas de pessoas estão a ser detidas e muitas desapareceram.

Desesperados com a crise económica no país, agravada pela pandemia de covid-19, milhares de cubanos manifestaram-se no domingo em dezenas de cidades e vilas, gritando "Liberdade!" e "Abaixo a ditadura!"

O encenador Yunior Garcia, um dos líderes do movimento 27N - criado após uma manifestação inédita de artistas em 27 de novembro, para exigir mais liberdade de expressão - também foi detido no domingo, tendo sido libertado na tarde de segunda-feira.

Garcia usou a sua conta na rede social Facebook, para relatar a sua experiência, explicando que viajou no domingo com um grupo de amigos até ao Instituto Cubano de Rádio e Televisão (ICRT) para pedir para falar por 15 minutos diante das câmaras.

Uma multidão de conservadores radicais e vários grupos de Resposta Rápida (forças de segurança à paisana) disseram-nos que não o poderíamos fazer (…) e fomos arrastados à força e atirados para dentro de um camião, como sacos de entulho", denunciou o encenador.

A União Europeia já pediu às autoridades cubanas para autorizarem as manifestações e “escutassem” o descontentamento da população, na sequência das manifestações históricas em toda a ilha e os Estados Unidos disseram que estão a acompanhar com atenção o desenrolar dos acontecimentos.

António Guimarães