O governo australiano está a oferecer dinheiro para que as vítimas de violência doméstica abandonem os seus parceiros. A oferta é válida para todos os géneros.

O inovador programa governamental arrancou esta terça-feira e vai permitir às vítimas o acesso a cinco mil dólares australianos (aproximadamente 3.220 euros) que podem ser recebidos em dinheiro ou através de pagamentos diretos de despesas, como as contas da casa ou as propinas da escola.

Apesar de ser aberto a todos os géneros, o governo estima que a vasta maioria das pessoas a aceder a este programa vão ser mulheres, uma vez que os dados no país demonstram que a cada nove dias uma mulher é morta pelo parceiro.

Apesar de muitas pessoas elogiarem esta medida pioneira, vários apontam que ela não resolve a causa dos problemas que levam à violência no seio familiar. 

Em declarações à CNN, Mary Crooks, diretora executiva da Victoria Women’s Trust, uma organização que luta pelos direitos das mulheres, diz que é mais importante ter um debate mais abrangente sobre o papel dos homens na cultura australiana e o destaque que estes assumem como chefes de família.

Outros dos argumentos feitos pelos críticos da medida é o porquê de terem de ser as vítimas a abandonar a casa de família. 

Existe um grande problema ético, moral e político nesta medida”, considera Mary Brooks.

A Austrália é um dos países desenvolvidos que está pior classificado em termos de igualdade de género, ocupando o 50.º lugar do ranking do Fórum Económico Mundial, abaixo de países como a França, Nova Zelândia, Reino Unido e Portugal.

Esta medida surge após um aumento significativo dos casos relatados de violência doméstica, que coincidiram com o período de confinamento devido à pandemia de covid-19. De acordo com números oficiais do governo australiano, dois terços das mulheres vítimas de violência doméstica relataram um aumento da violência durante esse período. 

Este não é, no entanto, a primeira vez que a Austrália tenta “atacar” o problema da violência doméstica no país. Em 2018, um estudo promovido pelo país descobriu que um em cada cinco australianos consideram que alguns exemplos de violência doméstica citados no estudo são “reações normais” de situações de “stress e frustração” do dia-a-dia.