Evelyn Beatriz Hernández, de 21 anos, foi ilibada da acusação de homicídio que enfrentava, depois de o bebé que carregava ter morrido às 32 semanas de gestação. O caso remonta a 2016, quando a jovem deu à luz numa casa de banho de uma área rural de El Salvador. Evelyn, que não sabia que estava grávida, perdeu a consciência durante o parto e teve hemorragias graves. O feto estaria morto.

A jovem sempre alegou que tinha sido violada várias vezes e que a gravidez fora fruto de uma dessas agressões sexuais.

Inicialmente acusada de homicídio, Evelyn foi condenada a 30 anos de prisão, dos quais cumpriu quase três, até ser libertada, em fevereiro deste ano. A condenação foi anulada devido a falta de provas e foi ordenada uma repetição do julgamento. 

Foi o primeiro julgamento do género a ter este final em El Salvador, que tem uma das leis do aborto mais restritivas em todo o mundo: as mulheres que abortam são acusadas de homicídio.

Graças a Deus, justiça foi feita", disse a jovem à saída do tribunal, citada pelo The Guardian.

A gravidez de Evelyn Hernández estava nas 32 semanas quando foi interrompida. A jovem diz ter sentido fortes dores abdominais e foi encontrada sem sentidos pela mãe, que acabou por levá-la para o hospital. O feto foi depois encontrado e a acusação alegou que Evely Hernández foi incapaz de o proteger.

Acreditamos que o juiz foi muito justo na sua decisão. Ele disse que não havia forma de provar a existência de um crime e que por essa razão ela tinha de ser absolvida", congratulou-se a advogada de defesa.

A diretora para as Américas da Amnistia Internacional, Erika Guevara-Rosas, também se mostrou satisfeita com a decisão: "É uma vitória para os direitos das mulheres em El Salvador. Reafirma que nenhuma mulher deve erradamente acusada de homicídio pelo simples facto de sofrer uma emergência obstetétrica".