Foi revelado um vídeo com imagens impressionantes sobre a forma como funcionários de um laboratório alemão obrigam macacos a testes científicos. Além disso, é possível ver cães e gatos feridos, a dormir sobre o próprio sangue e fezes.

O vídeo foi revelado pela Cruelty Free International e pela organização alemã Soko Tierschutz, depois de um ativista dos direitos dos animais ter estado infiltrado, durante vários meses, num Laboratório de Farmacologia e Toxicologia, perto de Hamburgo, e ter filmado os maus tratos a que estes animais estavam sujeitos.

É possível ver macacos a serem imobilizados com ferros à volta do pescoço e com as patas amarradas enquanto são realizados os testes. As imagens mostram ainda a violência com que os técnicos agarravam nestes animais, por exemplo pelas caudas, quando estes não ficavam quietos.

São mantidos em pequenas jaulas de metal, por vezes sozinhos, deitados sobre poças de sangue e fezes. Através do olhar destes animais é notória a angústia, o nível de stress e de pânico com que vivem. 

A brutalidade destas imagens rapidamente gerou polémica entre associações e ativistas dos direitos dos animais, que alegaram que não estava a ser cumprida a lei que exige que o sofrimento destes animais seja reduzido ao mínimo. Para sábado está agendada uma manifestação local para exigir o fecho de portas deste laboratório. 

Em declarações ao The Guardian, Kate Willet, que pertence à Humane Society International, disse que a forma como os testes eram realizados era "bárbara" e que as condições em que os animais eram mantidos eram "assustadoras"

Os técnicos estão a tratar os animais de forma violenta. Este tipo de tratamento é eticamente insustentável e possivelmente ilegal. Cada país tem as suas próprias diretrizes de cuidados com os animais, mas os cães armazenados nestas condições deploráveis não correspondem aos padrões dos Estados Unidos ou do Reino Unido e têm sérias implicações na qualidade dos resultados científicos", defendeu Kate. 

Disse ainda que "em pleno século XXI" é "imperdoável" este tipo de abusos.

De acordo com o jornal britânico, desde 2015 já tinham sido realizadas nove inspeções nas instalações deste laboratório, sete das quais sem aviso prévio. Uma delas foi a 8 de outubro, precisamente depois de terem sido relatados às autoridades os abusos ali praticados.

A Cruelty Free International, que foi quem divulgou as imagens, defende que as condições "violam claramente" os requisitos mínimos de bem-estar animal e exigem à União Europeia o fecho imediato do laboratório alemão e uma investigação profunda.

Como referido inicialmente, as imagens são realmente impressionantes e por isso alertamos os leitores mais sensíveis para a violências das mesmas. 

Cláudia Évora