As autoridades chinesas estão a bloquear o acesso à aplicação Clubhouse, que permite aos utilizadores na China falar sobre assuntos politicamente sensíveis, como Taiwan e o tratamento de minorias étnicas de origem muçulmana.

A decisão de adicionar o Clubhouse a uma lista com milhares de portais e aplicativos bloqueados pela censura do regime comunista ilustra o esforço de Pequim para controlar a narrativa entre o público chinês.

O atendimento aos usuários na China foi interrompido na segunda-feira, segundo o GreatFire.org, um grupo sem fins lucrativos nos Estados Unidos que monitora a filtragem na Internet chinesa e tenta ajudar os usuários a contorná-la.

Os pesquisadores no exterior rastreiam bloqueios em servidores dentro do grupo estatal das telecomunicações China Telecom Ltd., através dos quais o tráfego na Internet dentro e fora da China deve passar.

O Governo chinês promove o que designa de "soberania na Internet" ou o direito dos líderes políticos de limitar o que o público vê ‘online'.

A Clubhouse deu temporariamente aos seus utilizadores chineses um fórum sem censura para falar sobre questões politicamente sensíveis.

Ao contrário de muitos outros aplicativos, a Clubhouse usa mensagens de voz, o que permite que os usuários na China falem diretamente com pessoas em Taiwan, a ilha reivindicada pelo Partido Comunista como parte do seu território, e outros no exterior.

Os portais de comércio eletrónico no país asiático venderam milhares de convites para a plataforma, que nas últimas semanas apresentou discussões ao vivo hospedadas por figuras conhecidas, incluindo Elon Musk, fundador da marca de veículos elétricos Tesla.

Os tópicos para discussões recentes incluíram a região de Xinjiang, no noroeste da China, onde o Partido Comunista mantém mais de um milhão de membros da étnica chinesa de origem muçulmana uigur em campos de doutrinação, segundo organizações de defesa dos Direitos Humanos.

Este serviço exige que os usuários tenham convite para acederem e que forneçam os seus nomes e números de telefone.

Tal gerou alertas que os utilizadores chineses possam enfrentar uma retaliação oficial. Não houve nenhuma indicação se alguém na China foi punido por utilizar o serviço.

O partido no poder também bloqueia o acesso ao Facebook, Twitter e outras redes sociais, e milhares de portais administrados por organizações de notícias e de defesa dos Direitos Humanos, Tibete, pró-democracia e outros ativistas.

Redes sociais chinesas como o Wechat ou o Weibo censuram conteúdo considerado ilegal pelo regime e denunciam usuários que difundem posições contrárias ao regime.

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