Os casos de malária em São Tomé e Príncipe aumentaram nos últimos quatro anos, registando-se três centenas de casos por ano, disse aos jornalistas o ministro da saúde, Edgar Neves.

"Desde 2014, [a malária] tem aumentado. Nós temos o trabalho feito, conhecemos os números e em média foi aumentando 290 a 300 casos por ano”, disse Edgar Neves, no final de um encontro no sábado com responsáveis de vários setores.

É importante que as populações estejam informadas, porque só assim poderão também exercer o seu papel. É importante não ocultar informação nenhuma sobre qualquer patologia, mas também é muito importante não criar falsos alarmismos que não conduzem a lado nenhum”, defendeu.

O ministro da Saúde considera a situação “preocupante”, prometendo investimento do governo no combate e prevenção da doença.

Nós somos um país eleito entre os dez destinos turísticos do mundo e é extremamente importante que nos acautelemos”, disse, defendendo mudança de comportamento por parte das pessoas e instituições no país.

Nesse sentido, o executivo iniciou há uma semana, um ciclo de reuniões com autarquias e órgãos públicos de comunicação social para “preparar uma estratégia” de combate à doença.

Nos elegemos os programas nacionais de luta contra a malária e do HIV Sida e tuberculose como eixos centrais de política do governo. O combate a essas doenças, particularmente a malária é um processo que envolve todas as forças ativas do país, a sociedade civil o governo e os órgãos de soberania”, disse Edgar Neves.

Edgar Neves prometeu “divulgar mais elementos” sobre a malária nos “próximos dias” já com números e locais mais afetados, adiantando que “nas primeiras semanas de janeiro houve um aumento” de casos, mas “tudo está sendo feito no sentido de controlar a doença”.

Fim de apoio de Taiwan ajudou ao aumento

O aumento dos casos de malária em São Tomé e Príncipe acentuou-se depois do fim da cooperação com Taiwan com o país africano, que decidiu reconhecer a República Popular da China, disse hoje fonte do Ministério da Saúde.

Em dezembro de 2016, São Tomé e Príncipe decidiu reconhecer a República Popular da China, uma decisão que implicou, de imediato, o fim das relações com Taiwan, uma imposição de Pequim aos seus parceiros diplomáticos.

Durante dez anos, Taiwan deu apoio a São Tomé na área da formação, infraestruturas e da saúde, com particular destaque para o combate à malária.