Última actualização às 18:30

O director-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), o francês Dominique Strauss-Kahn, foi formalmente acusado de tentativa de violação, acto sexual criminoso e detenção ilegal, horas depois de ter sido detido no aeroporto de Nova Iorque, informou fonte da polícia. O seu número dois, John Lipsky, ficará a frente do FMI na sua ausência.

Strauss-Kahn, socialista favorito nas sondagens para as presidenciais francesas de 22 de Abril de 2012, «foi acusado de tentativa de violação, acto sexual criminoso e detenção ilegal de uma jovem mulher de 32 anos num quarto de hotel em Nova Iorque», precisou aos jornalistas Ryan Sesa, porta-voz da polícia de Harlem.

O director do FMI ia estar reunido com Angela Merkel este domingo e iria à reunião do Eurogrupo esta segunda-feira.

O incidente terá ocorrido no hotel Sofitel de Nova Iorque, perto de Times Square, onde a jovem mulher é empregada de limpeza.

O «New York Post» conta que, quando a suposta vítima entrou no quarto do francês, este terá saído da casa de banho sem roupa e a terá agarrado. Segundo fontes consultadas pelo jornal, que não são identificadas, Strauss-Kahn terá atirado a mulher para cima da cama, forçando-a a praticar sexo oral.

Strauss-Kahn foi detido no aeroporto John F. Kennedy quando se encontrava no compartimento da primeira classe de um avião da Air France e apenas 10 minutos antes da partida para Paris.

O director do FMI foi imediatamente interrogado na Unidade de Vítimas Especiais e a acusação formal chegou umas horas depois.

Extrema-direita francesa aproveita

A ex-candidata socialista às presidenciais francesas de 2007, Ségolène Royal, já comentou o caso. «Tomei conhecimento desta notícia perturbadora a propósito da qual tudo está por verificar», declarou à rádio Europe 1.

Ségolène Royal vai tentar uma nova candidatura ao Eliseu, apresentando-se às primárias socialistas de Outubro para escolher o candidato do PS francês às presidenciais de 2012. Dominique Strauss-Kahn é apontado como o seu principal rival.

Quem aproveitou foi Marine Le Pen, a dirigente de extrema-direita francesa. «Os factos que são atribuídos a DSK, se forem verdadeiros, são muito graves. Está definitivamente desacreditado como candidato à mais alta função do Estado», declarou a responsável da Frente Nacional e candidata às presidenciais de 2012 em plena ascensão nas sondagens.

Também a líder do Partido Socialista francês, Martine Audry, mostrou-se «estupefacta» com a acusação, comparando-a a «uma trovoada», noticia a agência France Press.

«As notícias que nos chegaram de Nova Iorque esta noite caíram como uma trovoada. Eu própria estou totalmente estupefacta», declarou a líder dos socialistas de França, numa curta declaração aos jornalistas, proferida na Câmara Municipal de Lille.

Já o porta-voz do governo francês, François Baroin, pediu «prudência» e respeito pela «presunção de inocência».

A directora de relações públicas do FMI assegurou que a instituição mantém o seu «pleno funcionamento». No entanto, já se fala na possibilidade de afastamento de Strauss-Kahn.

Entretanto, a esposa de Strauss-Kahn já saiu em sua defesa, dizendo ter a certeza que o marido está inocente.
Redação / CP