Don e Margie Varnadoe fizeram este ano 50 anos de casados. Uma marca especial que levou o casal a querer fazer algo de diferente. O homem passou vários meses a ver vídeos e a tirar informações sobre viagens de comboio, planeando umas férias de sonho à volta dos Estados Unidos.

Telefonou aos seus colegas da imobiliária onde trabalhava, na Geórgia, para lhes contar que estaria fora nos próximos dias porque ia fazer uma viagem.

Ele ligou para o escritório e disse que estava muito entusiasmado", conta Robert Kozlowski, gestor de contas da imobiliária, em declarações à agência Associated Press.

Na altura, o casal estava em Washington D. C., e pretendia seguir para oeste. De forma trágica, um dia depois (no sábado), Don e Margie Varnadoe acabaram por morrer no descarrilamento de um comboio numa zona rural do Montana, o qual fez ainda uma outra vítima, Zachariah Schneider, de 28 anos.

De acordo com os primeiros relatórios, o comboio da Amtrak seguia abaixo do limite de velocidade, a cerca de 121 quilómetros por hora. De repente descarrilou durante uma curva, quando fazia a rota entre Chicago e Seattle.

Além de Don e Margie Varnadoe, que tinham 74 e 72 anos, no comboio seguiam 141 passageiros e 16 membros da tripulação. Da composição com dez carruagens, só duas não descarrilaram, num acidente que provocou ainda perto de 50 feridos.

Robert Kozlowski recebeu a notícia no domingo, depois de uma mensagem de texto o alertar para a tragédia. Acabou por ligar à família do casal, que lhe confirmou o sucedido.

Na imobiliária todos sabiam da viagem de Don e Margie, e estavam entusiasmados por eles: "Ele disse 'esta é a viagem de uma vida e estamos ansiosos", lembra Robert Kozlowski.

Após a morte inesperada do casal, ninguém em Simons Island se vai esquercer do casal Varnadoe, que, no fim de contas, acabou por ficar junto toda a vida.

António Guimarães