Donald Trump mentia a uma média de seis vezes por dia – o que já era muito.

Mas nas sete semanas anteriores a estas eleições intercalares para o Congresso, o Presidente dos EUA agravou incrivelmente o grau e o volume das suas mentiras: passou a fazê-lo 30 vezes por dia (as contas são do Washington Post, que totaliza 6420 mentiras presidenciais nos primeiros 649 dias de mandato).

No caso da “caravana de refugiados”, a mentira tornou-se o principal argumento político do Presidente.

Olhemos para os factos: a “caravana” que teve origem nas Honduras terá tido um total de 14 mil refugiados. Desse número, apenas um quinto (algures entre 2500 e 3000) deverão conseguir atingir a fronteiro sul dos EUA com o México. Apenas metade deles poderá reunir condições de obter asilo nos EUA como refugiados ou imigrantes (entre 1400 e 1500). E dentro desse grupo, já tão restrito, a maioria são mulheres e crianças, algumas delas com menos de seis anos. Só poucas centenas de homens adultos dessa caravana terão algumas condições de poder entrar em solo americano.

Será isso uma “grande invasão” que põe em risco a segurança nacional americana? John Kasich, governador republicano do Ohio, foi claro ontem na CNN: “Não, não é. É tempo de toda a gente se acalmar um pouco com esta história da caravana. O nosso país tem leis, tem fronteiras, tem patrulhas… O Presidente está a usar este tema para efeitos políticos, para criar uma sensação de risco e de insegurança que não corresponde à realidade”.

Ora, quando um governador republicano chama à razão o Presidente, isso dá conta de que algo muito profundo estará errado na conduta de Donald Trump em relação a este e outros temas.

Em mais um caso em que mostra ser um “extremista sonso” (ameaça, depois diz que não ameaçou, volta a ameaçar, volta a esconder a mão), Donald Trump diz agora que nunca colocou a questão de dar ordens aos militares para dispararem contra quem atirasse pedras (algo que, na véspera, tinha dito objetivamente).

Trump chegou a ameaçar enviar 15 mil efetivos militares para a fronteira sul dos EUA com o México, a fim de travar “a grande invasão” de que fala. Mas o Pentágono já fez saber que rejeita um eventual pedido de reforço de emergência na fronteira, que o Departamento de Segurança Interna terá que fazer para satisfazer essa intenção do Presidente.

Kirstjen Nielsen, secretária de Segurança Interna da Administração Trump, tinha garantido, dias antes, na FOX News, que o seu departamento iria mesmo avançar para esse pedido que agora o Departamento de Defesa rejeitou.

Mesmo nesta era trumpiana, os “checks and balances” continuam a funcionar, dentro da própria Administração Trump.

E isso é bom.

A Economia a dar uma ajuda aos republicanos

Enquanto isso, os números da Economia continuam a dar motivos de otimismo aos republicanos para estas eleições: 250 mil postos de trabalho criados em outubro, um dos valores mais altos do último ano, a confirmar a pujança do momento económico nos EUA (3,7% de desemprego, crescimento pelos 3,5%).

Em alguns estados, o tema Economia poderá ser muito relevante para a decisão final.