Um dirigente do Departamento de Segurança Interna (DSI) dos EUA afirmou, em denúncia divulgada esta quarta-feira, que foi pressionado pelos líderes da agência para suprimir passagens nos seus relatórios de informações, que poderiam desagradar a Donald Trump.

Entre estas estavam algumas relativas à interferência russa nas eleições presidenciais e à ameaça colocada pelos supremacistas brancos.

Brian Murphy afirmou na queixa, dirigida ao inspetor-geral da agência, que tinha sido despromovido por se recusar a alterar o seu relatório de informações de uma forma “ilegal e imprópria”.

Este antigo agente da polícia federal (FBI, na sigla em inglês) e do corpo de fuzileiros (‘marines’) era o primeiro vice-subsecretário no Gabinete de Informações e Análise.

Em agosto foi despromovido para assistente do vice-subsecretário para a Gestão do DSI.

O senhor Murphy é, dito de forma simples, um dedicado funcionário público, que teve uma carreira meritória antes dos acontecimentos recentes que levaram à apresentação desta queixa ao Gabinete do Inspetor-Geral” do DSI, declarou-se no texto.

 

Antes das atuais circunstâncias, ele nunca teve sequer um relatório negativo sobre a sua forma física na sua carreira profissional no Governo dos EUA”, acentuou-se.

Na queixa, alegou-se que a antiga secretária do DSI, Kirstjen Nielsen, o atual secretário interino, Chad Wolf, e o vice deste, Ken Cuccinelli, pressionaram-no de forma repetida para alterar as avaliações da informação trabalhada de forma que corroborassem as políticas do Governo de Trump ou que evitassem ofendê-lo.

Um dos exemplos dados foi o de que Nielsen e os seus adjuntos pressionaram-no para exagerar o número de imigrantes com ligações ao terrorismo que tinham sido detidos na fronteira sul. Murphy acusou-a de ter mencionado números falsos elevados durante um testemunho no Congresso.

O queixoso alegou também que Wolf, que foi nomeado para secretário do DSI por Trump, instruiu Murphy para deixar de fazer avaliações de informações sobre a ameaça da interferência russa nos EUA, porque isso “dava maus aspeto ao presidente”.

Murphy disse que rejeitou a instrução, porque aceitá-la seria uma violação dos seus deveres.

Adiantou ainda que Cuccinelli ordenou-lhe que modificasse um relatório sobre a supremacia branca, para que esta ameaça ficasse mais diluída, e que incluísse informação sobre grupos de esquerda, reproduzindo os tópicos do discurso da Casa Branca sobre os confrontos subsequentes à morte de George Floyd.

Uma cópia da queixa foi divulgada esta quarta-feira pelo congressista democrata Adam Schiff, da comissão de Informações da Câmara dos Representantes.

/ CE