Câmara dos Representantes norte-americana aprovou na quarta-feira (hoje de madrugada em Lisboa) uma segunda acusação contra Donald Trump por obstruir o trabalho do Congresso ao recusar participar na investigação judicial sobre si.

O Congresso, nas mãos dos democratas aprovou esta acusação com 229 votos a favor, 198 contra e uma abstenção, obedecendo aos alinhamentos partidários (com quatro excepções).

O Presidente republicano fora pouco antes sujeito a uma acusação de abuso de poder, que contou com 230 votos favoráveis, 197 contra e uma abstenção.

Donald Trump irá responder por estes dois crimes de que é acusado no Senado (câmara alta), onde os republicanos (no poder) têm uma clara maioria.

Na sessão, a líder democrata da Câmara de Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, disse que Donald Trump é uma “ameaça constante” à “segurança nacional” dos EUA, durante o debate para votação dos artigos de destituição do Presidente.

Os atos irresponsáveis do Presidente tornaram necessário o seu ‘impeachment’. Ele não nos deixou outra escolha”, afirmou Nancy Pelosi, referindo-se à decisão dos democratas de levarem artigos de destituição para aprovação no plenário da Câmara de Representantes.

Segundo Pelosi, o Presidente agiu como uma “ameaça constante à segurança nacional e à integridade das eleições”, ao tentar pressionar um líder estrangeiro a investigar um rival político de Trump.

Durante o dia, Donald Trump voltou a declarar-se inocente no inquérito para destituição, que arrancou no início de outubro, com acusações de que o Presidente teria pressionado o seu homólogo da Ucrânia, Volodymyz Zelensky, para investigar a atividade, junto de uma empresa ucraniana envolvida em casos de corrupção, do filho de um rival político, Joe Biden.

Os democratas insistem nas provas angariadas nas audições do Comité de Informações, primeiro, e Comité Judiciário, depois, para legitimar a decisão de considerar que a atividade do Presidente no caso ucraniano é passível de destituição.

É trágico que as ações imprudentes do Presidente tornem o ‘impeachment’ necessário”, disse Pelosi, acrescentando que Trump violou a Constituição e merece ser destituído.

Donald Trump torna-se assim no terceiro Presidente norte-americano a passar a fase seguinte do processo para ser destituído, depois de Andrew Johnson (1868) e de Bill Clinton (1998).

Nesse caso, o processo passará para o Senado, que se constituirá com um tribunal para o julgamento político de Donald Trump, de acordo com a Constituição.

Democratas e republicanos já estão em negociações sobre os termos do julgamento político, que analisará se o Presidente cometeu um crime passível de levar à demissão, o que nunca sucedeu na história dos EUA, já que Andrew Johnson e Bill Clinton foram absolvidos no Senado.

O julgamento será conduzido pelo juiz John Roberts, mas serão os senadores quem servirá de juízes, perante os advogados nomeados pelo Presidente.

Se houver uma maioria de 2/3 de votos favoráveis no Senado, Donald Trump será o primeiro Presidente dos EUA a ser demitido.

Contudo, este cenário é pouco provável, já que os republicanos têm uma maioria confortável no Senado e já manifestaram a intenção de se unir na rejeição da pretensão de rejeitarem o processo espoletado pelos democratas.

Trump critica ódio da esquerda radical

Donald Trump, criticou na quarta-feira à noite no Michigan o "ódio" dos democratas do Congresso, logo após sua acusação de destituição pela Câmara dos Deputados.

Enquanto criamos empregos e lutamos pelo Michigan, a esquerda radical no Congresso é consumida pela inveja, ódio e raiva, vejam o que está a acontecer", disse numa ação de campanha em Battle Creek.

Os democratas estão a tentar cancelar os votos de dezenas de milhões de americanos", acrescentou.

A acusação de destituição inclui dois crimes: abuso de poder e obstrução ao Congresso.

/ BC