A Coreia do Norte considera que fez uma “proposta realista”, na cimeira desta quinta-feira com os EUA, e que o presidente Donald Trump perdeu uma oportunidade "que pode não repetir-se", segundo declarações oficiais divulgadas por uma agência coreana.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte, Ri Yong Ho, citado pela agência coreana Yonhap, disse que o seu presidente, Kim Jong-un, apenas pediu aos EUA um alívio parcial das sanções, em troca do encerramento do seu principal complexo nuclear.

O ministro Ri disse ainda que a Coreia do Norte estava disponível para oferecer, por escrito, uma suspensão permanente dos testes nucleares e intercontinentais de mísseis balísticos, considerando que Donald Trump desperdiçou uma oportunidade de negociação que “pode não repetir-se”.

Estes dados contrariam a versão apresentada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, segundo o qual Kim Jong-un teria pedido o “levantamento total” das sanções de Washington, oferecendo-se apenas para desmantelar o centro de pesquisa nuclear de Yongbyon, onde é produzido o combustível para as armas atómicas.

Para Donald Trump, esta era uma condição “inaceitável”, que levou ao termo abrupto da cimeira de dois dias, em Hanói.

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Os trabalhos da cimeira tinham começado com sinais de harmonia entre o Presidente dos EUA e o da Coreia do Norte, mas o entendimento esbarrou contra a questão central da desnuclearização da península coreana, sem que houvesse possibilidade de um acordo comum.

Nas primeiras cenas da cimeira em Hanói, quarta-feira, o líder norte-coreano até respondeu pela primeira vez a perguntas de jornalistas internacionais sobre a questão nuclear, mostrando-se disposto a encontrar uma solução para o problema central da reunião com Trump.

Se não tivesse vontade de o fazer, não estaria aqui agora”, explicou Kim Jong-un.

Mas, esta quinta-feira, as negociações terminaram quando os EUA rejeitaram a proposta norte-coreana que, segundo Donald Trump, era de eliminar as sanções impostas antes mesmo que se atingisse uma clarificação sobre armas nucleares.