Antigos secretários da Defesa norte-americanos pronunciaram-se, no domingo, contra qualquer envolvimento das forças armadas na transição política em curso da presidência norte-americana, num artigo publicado no jornal Washington Post.

Uma dezena de antigos secretários da Defesa de diferentes administrações norte-americanas, entre os quais James Mattis e Mark Esper, nomeados pelo Presidente em exercício, Donald Trump, apelaram ao Pentágono para que se comprometa com uma transferência pacífica de poder.

O apelo surgiu numa altura em que se espera que o Congresso certifique a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais de novembro, sucedendo ao republicano Donald Trump como presidente dos EUA, em 20 de janeiro, um passo agendado para quarta-feira.

Os esforços para envolver os militares dos EUA na resolução de disputas eleitorais levar-nos-iam a território perigoso, ilegal e inconstitucional", afirmaram os signatários, que incluem ainda Ashton Carter, Leon Panetta, William Perry, Dick Cheney, William Cohen, Donald Rumsfeld, Robert Gates e Chuck Hagel.

Os signatários, que vêm dos dois principais partidos políticos norte-americanos, escreveram que os desafios aos resultados eleitorais em vários estados foram rejeitados pelos tribunais e que os votos foram certificados pelos governadores dos estados.

Pediram ainda ao secretário da Defesa em exercício, Christopher Miller, e a todos os funcionários do Departamento de Defesa, para facilitarem a transição para a administração do Presidente eleito Biden.

Devem também abster-se de qualquer ação política que possa prejudicar os resultados eleitorais ou comprometer o sucesso da nova equipa", acrescentaram.

Os antigos secretários da Defesa lembraram que, à exceção da eleição de Abraham Lincoln em 1860, seguida da secessão dos estados esclavagistas no Sul e da Guerra Civil, os Estados Unidos têm um número recorde de transições pacíficas.

Este ano não deve ser uma exceção", sublinharam.

No texto, alertaram ainda que os responsáveis por tentativas de envolver as forças armadas no processo de transição podiam enfrentar graves consequências judiciais e profissionais.

Vários órgãos de comunicação norte-americanos noticiaram que a possibilidade de instaurar a lei marcial foi levantada numa reunião na Casa Branca, uma informação negada por Donald Trump.

O Congresso deverá certificar os resultados das eleições presidenciais em 06 de janeiro, mas Donald Trump continua a afirmar que ganhou as eleições e que a vitória de Joe Biden, reconhecida pelo eleitorado, foi alcançada através de fraude.

Dezenas de recursos de Trump contra os resultados das eleições foram indeferidos pelos tribunais norte-americanos nos últimos meses.

/ BC