"Nim". Nem não, nem sim, foi a forma como o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, forte apoiante de Donald Trump no cenário político internacional, se esquivou a falar sobre uma anunciada proposta japonesa ao comité Nobel, indicando o presidente norte-americano para o prémio da Paz, em 2019.

Shinzo Abe enfrentou no parlamento japonês as perguntas da oposição do partido Democrático para o Povo, sobre se teria, de facto, proposto Trump para Nobel da Paz em 2019.

Respeitando a política do comité Nobel de não divulgar recomendações e nomeados até passarem 50 anos, recuso-me a comentar", afirmou Shinzo Abe, acrescentando ainda assim que "nunca disse que não o nomeei".

A evasiva do chefe do governo japonês não deixou, contudo, de ser atacada pela oposição, em particular por Yuichiro Tamaki, deputado do Partido Democrático para o Povo, o qual receia que a indicação de Trump "dê falsas mensagens à Coreia do Norte e à comunidade internacional, ao admitir que é digno do prémio Nobel da Paz".

A contenda política no Japão, sobre a indicação de Trump para Nobel da Paz, surge após o jornal Asahi Shimbun, uma dos mais influentes e populares no país, com uma tiragem diária da ordem dos oito milhões de exemplares, ter noticiado que Shinzo Abe escrevera ao comité Nobel, a pedido de Trump.

"Uma coisa chamada" Nobel

Sexta-feira, o próprio Donald Trump anunciou que Shinzo Abe o tinha proposto para os candidatos a Nobel da Paz. As nomeações encerraram no último dia de janeiro e o comité do prémio anunciou apenas ter 304 candidaturas, 219 individuais e 85 organizações.

Deu-me a cópia de uma carta bonita que enviou para as pessoas que atribuem uma coisa chamada prémio Nobel", anunciou Trump, na sexta-feira, ao falar da sua próxima cimeira com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, a realizar no Vietname no final deste mês.

Ele disse-me: nomeei-o respeitosamente em nome do Japão. Estou a pedir que lhe concedam o prémio Nobel da Paz”.

Na conversa levada acabo na Casa Branca, Trump fez ainda questão de lembrar que o galardão foi também atribuído ao seu antecessor, Barack Obama, logo no seu primeiro ano de mandato, em 2009.

Eu provavelmente nunca vou conseguir, mas tudo bem. Eles deram-no a Obama. Ele até nem sabia porque o recebeu. Estava no cargo há 15 segundos", sublinhou Trump.

Barack Obama recebeu o Nobel da Paz em 2009, por estabelecer um compromisso dos Estados Unidos na "busca da paz e segurança num mundo sem armas nucleares".

Agora, o argumento que poderá servir à nomeação de Trump passa pela situação na península da Coreia, após a cimeira histórica que realizou em junho passado, com Kim Jong-un.

Logo na passada sexta-feira, após Trump ter falado da tal carta do primeiro-ministro japonês, surgiram rumores de que também o aliado norte-americano Coreia do Sul tivera idêntica iniciativa.

Um porta-voz do presidente sul-coreano, Moon Jae-in, negou, mas fez saber que Trump "tem qualificações suficientes para ganhar o prémio Nobel" pelo seu trabalho em prol da paz entre a Coreia do Norte e a do Sul, que ainda não assinaram um tratado de paz após a guerra de 1950-53.