Está marcado para a noite de quinta-feira na Belmont University, em Nashville, no estado do Tennessee, o segundo e último frente-a-frente entre os dois candidatos presidenciais dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden. 

Seria o terceiro debate entre Trump e Biden, mas devido à recusa do atual presidente em participar num debate virtual, o encontro que estava marcado para 15 de outubro na Florida acabou por ser substituído por duas sessões independentes de respostas aos eleitores, que tiveram lugar à mesma hora, transmitidas em diferentes canais: Trump na NBC, em Miami, e Biden na ABC a partir de Filadélfia. 

E se Trump diz que está "comprometido" e já garantiu marcar presença no debate de quinta-feira, há uma dúvida da parte de Biden: o candidato democrata admitiu na semana passada, na ABC, que só participaria se Donald Trump fizesse um teste negativo à covid-19. Recorde-se que Trump, desde que foi considerado "curado", não mostrou qualquer teste laboratorial negativo que o comprove.

Vai pedir ao presidente Trump que faça um teste naquele dia e que este seja negativo antes de debaterem?", questionou o jornalista George Stephanopoulos, ao que Biden respondeu: "Sim. Já agora, antes de vir para aqui, fiz outro teste, tenho-os feito todos os dias", sublinhou o candidato democrata, acrescentando: "Não queria vir para aqui e expor as pessoas".

Microfones desligados

A campanha de Trump já disse que se trata de uma regra "injusta",  mas a Comissão para os Debates Presidenciais decidiu na noite de segunda-feira que o microfone de um candidato estará desligado durante dois minutos, para o rival poder responder a uma questão sem interrupções.

O debate terá 90 minutos e será dividido em segmentos de 15 minutos, cada segmento dedicado a um tema diferente. Nos primeiros dois minutos de cada segmento, cada candidato poderá fazer um comentário sem interrupções sobre o tema em análise antes de serem ligados os dois microfones. Segue-se então um debate aberto sobre aquele tema, até que os microfones voltam a ser desligados à vez nos dois minutos iniciais do segmento seguinte. 

Em comunicado, a comissão sublinhou: "Sabemos, depois de debatermos com as duas campanhas, que nenhuma estará totalmente satisfeita com as medidas anunciadas hoje. Uma pensará que fomos demasiado longe, a outra que não fomos longe o suficiente. Estamos confortáveis e julgamos que estas ações trazem o equilíbrio certo e são no interesse do povo americano, para quem estes debates são feitos".

Apesar das alterações "de última hora", como acusou a campanha de Trump, o candidato compromete-se a comparecer ainda que considere que as mudanças favorecem "o candidato preferido" da comissão, ou seja, Joe Biden. 

O objetivo da comissão foi impedir um debate caótico como o de 30 de setembro: os candidatos falaram constantemente um por cima do outro e Trump não se coibiu de interromper Biden até que este perdeu a paciência e o mandou calar.

Moderadora tendenciosa

Anunciados os temas do debate e o nome da moderadora, mais uma vez, as críticas voaram da campanha de Trump e do próprio presidente.

Vou participar mas é muito injusto que tenham alterado os tópicos e é muito injusto que, mais uma vez, tenhamos uma moderadora que é totalmente tendenciosa", explodiu o candidato republicano. 

Trata-se de Kristen Welker, jornalista da NBC News, que escolheu os temas a debater: a luta contra a covid-19, famílias americanas, raça na América, alterações climáticas, segurança nacional e liderança.

Um porta-voz da campanha de Joe Biden respondeu a Trump dizendo que ambas as campanhas e a comissão de debates tinham concordado com a escolha de Welker e que seria a jornalista a selecionar os tópicos em discussão. "A campanha de Trump está a mentir sobre isso agora porque Donald Trump tem receio de enfrentar mais questões sobre a sua resposta desastrosa à covid", sublinhou TJ Ducklo.

As eleições presidenciais norte-americanas estão marcadas para 3 de novembro, terça-feira, e o voto antecipado começou ontem, segunda-feira, no estado da Florida. O voto das comunidades hispânicas pode decidir o resultado final e a Florida é um estado apontado como crucial para as presidenciais, pois pode ajudar o candidato democrata Joe Biden a vencer ou a reeleger o republicano Donald Trump: o resultado estadual representa 29 dos 270 votos eleitorais necessários para a vitória, seja de quem for.

Bárbara Cruz