O Presidente norte-americano insistiu hoje nos ataques ao banco central dos EUA (Reserva Federal – Fed), considerando-o “um problema maior do que a China” para a economia norte-americana, adiantando que não está “nem um pouco contente” com o presidente da instituição.

Em entrevista ao diário The Washington Post, Donald Trump repetiu as críticas à Fed, presidida por Jay Powell, por considerar que a subida gradual das taxas de juro está a prejudicar a economia dos EUA.

“Creio que a Fed é um problema muito maior do que a China”, disse Trump, opinando que o país asiático “tem muita vontade de chegar a um acordo” com ele próprio, para reduzir a tensão comercial bilateral.

Estou a fazer acordos [comerciais] e na Fed não estão a agir em consequência. Estão a cometer um erro, porque eu tenho um instinto e, às vezes, o meu instinto diz-me mais do que alguma vez me pode dizer o cérebro de qualquer outra pessoa”, acrescentou o Presidente norte-americano.

Sem manifestar preocupação com a possibilidade de uma recessão nos EUA, porque os seus “acordos comerciais” vão ter um bom efeito na economia, Donald Trump deixou claro o arrependimento de ter nomeado este ano Jay Powell para presidir ao banco central.

Não estou nem um pouco contente com a minha escolha de Jay Powell. Nem um pouco. Não culpo ninguém, mas creio que a Fed está muito enganada com o que está a fazer”, disse.

As críticas de Trump à Fed surpreenderam os meios económicos e financeiros dos EUA, dado o respeito tradicional que todos os governos norte-americanos têm tido pela independência do banco central.

Na sexta-feira, Trump exprimiu o seu descontentamento com o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, que responsabiliza pela escolha de um presidente do banco central, cuja política de subida de taxas de juro pode ameaçar a sua reeleição, em 2020.

A informação foi divulgada pelo Wall Street Journal, baseada em fontes não identificadas, que acrescentou que Trump responsabiliza Mnuchin pelas turbulências nos mercados bolsistas e reprova-lhe o ceticismo em relação aos seus métodos de choque nas relações comerciais.

Durante conversações com os seus conselheiros nas últimas semanas, Trump questionou-se abertamente se não deveria ter nomeado o presidente do maior banco dos EUA, o JPMorgan Chase, apesar de este já ter dito que era mais inteligente do que o milionário do imobiliário, em vez de Mnuchin, ex-banqueiro do Goldman Sachs, gestor de fundos e produtor cinematográfico.