O ex-vice-primeiro-ministro Paulo Portas sugeriu hoje em Leiria que a Europa deveria aproveitar a "vaga" deixada pelos Estados Unidos, que saíram do Tratado Transpacífico de Comércio Livre.

O Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, decidiu em janeiro pôr fim à participação do país no Tratado Transpacífico de Comércio Livre, assinado em 2015 por 12 países da Ásia-Pacífico que representam 40% da economia mundial.

Porque é que os europeus não vão procurar ocupar o espaço que os americanos deixaram vazio? Porque é que os europeus não consideram uma prioridade fazer comércio com economias altamente dinâmicas do Pacífico, ocupando o espaço que os americanos deixaram vago", questionou Paulo Portas, durante a primeira edição do Leiria Centro Exportador, citado pela Lusa.

O agora consultor da construtora Mota-Engil e de uma filial em Espanha da petrolífera mexicana PEMEX considerou que a globalização também é aproveitar a oportunidade de "quem deixa um espaço vago".

Durante um discurso centrado na globalização, Paulo Portas frisou por várias vezes os benefícios da mesma e criticou a Europa por perder várias oportunidades, situação exemplificada pelo crescimento "medíocre" de 1,5% do continente.

O antigo líder do CDS socorreu-se de vários 'tópicos', nomeadamente de maiores portos, aeroportos e empresas industriais e de base tecnológica, para demonstrar que a Europa não está no centro da economia mundial, sublinhando a importância de mercados emergentes na Ásia, África e América Latina.

A preponderância de empresas americanas e asiáticas no setor da economia digital "é um soco no estômago para os europeus", notou, vincando que a Europa arrisca-se a perder "o campeonato da economia com mais futuro".

"A economia vai ser cada vez mais assim: não há decreto ou manifestação que pare o avanço tecnológico", salientou, voltando a abordar a questão da automação da economia - um assunto a que já tinha feito referência no início do mês, no Porto.

Para o ex-vice-primeiro ministro, a digitalização e automação dos processos que tornam dispensável a intervenção humana deveriam ser a principal preocupação e não a globalização.

Como é que vamos organizar as nossas sociedades do ponto de vista da relação com o trabalho, da mudança do mercado de trabalho, da relação com o tempo disponível e do planeamento da sustentabilidade dos sistemas sociais? Nós não vamos parar a automação", frisou Paulo Portas, afirmando que se deveria pensar em como a sociedade vai organizar o tempo de trabalho.

No final do discurso, Paulo Portas recusou-se a prestar quaisquer declarações aos jornalistas, dizendo que não é da política e que não faz declarações políticas.