O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu-se hoje com o homólogo russo, Vladimir Putin, e sarcasticamente pediu-lhe para não interferir nas eleições norte-americanas de 2020, nas quais procura a reeleição.

Antes do encontro com Putin, à margem da cimeira do G20 na cidade japonesa de Osaka, um jornalista perguntou-lhe se pretendia pedir ao líder russo que não tentasse influenciar o resultado das eleições de 2020, como supostamente teria acontecido na votação em 2016.

"Sim, claro", respondeu Trump, e depois virou-se ligeiramente para Putin, e sem o olhar nos olhos, disse, em tom de brincadeira, com um sorriso: "Não se envolva nas eleições".

Depois, levantou o dedo indicador da mão direita na direção de Putin e reiterou: "Não se envolva nas eleições", sem perder o sorriso.

Este é o primeiro encontro entre os dois líderes desde a polémica cimeira em Helsínquia, na Finlândia, na qual Trump questionou as conclusões dos serviços secretos norte-americanos sobre a suposta interferência russa nas eleições de 2016.

É uma grande honra estar com o Presidente Putin (...) Temos um relacionamento muito, muito bom, e vamo-nos divertir muito juntos, e muitas coisas positivas sairão deste relacionamento", prometeu Trump, antes do início do encontro.

O Presidente norte-americano acrescentou que planeavam falar sobre "comércio, desarmamento" nuclear e "um pouco sobre protecionismo comercial".

Putin respondeu que estava "de acordo" com Trump e que as respetivas equipas tinham trabalhado juntas desde a cimeira de Helsínquia, sublinhando apreciar a "grande oportunidade" de se reunir novamente com o homólogo norte-americano.

Trump pediu a Merkel para ser mais contundente com o Irão

O Presidente dos Estados Unidos esteve também reunido com a chanceler alemã, Angela Merkel, pedindo-lhe que fosse mais contundente em relação "à perigosa" conduta do Irão, durante um encontro bilateral à margem da cimeira do G20 em Osaka, Japão.

O Presidente pediu que a chanceler Merkel se junte aos Estados Unidos para manter o Irão sob máxima pressão global", disse a Casa Branca na conta oficial na rede social Twitter, após a reunião.

Tal como a UE, a Alemanha defendeu contenção perante a crescente tensão entre os Estados Unidos e o Irão nos últimos dois meses e que resultam da decisão de Donald Trump, em 2018, de retirar os EUA do acordo nuclear com Teerão.

A Alemanha, uma das cinco potências que assinaram o pacto de 2015, tentou convencer Teerão a permanecer no acordo, apesar da reimposição de sanções norte-americanas.

Em maio, o Governo iraniano anunciou a suspensão de alguns dos compromissos nucleares e deu à UE um ultimato para garantir os interesses de Teerão, caso contrário aumentaria os limites do enriquecimento de urânio.

O pacto assinado em Viena em 2015 entre o Irão e os 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, EUA, França, Reino Unido, Rússia e China, mais a Alemanha) limita o programa nuclear iraniano em troca do levantamento das sanções internacionais.

As tensões no Golfo Pérsico e as "atividades perigosas do Irão no Médio Oriente" concentraram grande parte do diálogo entre Trump e Merkel, de acordo com um comunicado da Casa Branca.

Os dois líderes discutiram também "como estabilizar a Líbia e a região do Sahel, apoiar reformas económicas na Ucrânia", bem como as "negociações com a China" para conter a guerra comercial entre Washington e Pequim, de forma a "estabelecerem-se padrões justos para o comércio global", indicou a mesma nota.

A relação entre Trump e Merkel tem sido notavelmente fria nos últimos dois anos, mas o Presidente dos Estados Unidos elogiou a governante antes mesmo da reunião.

Ela é uma pessoa fantástica, uma mulher fantástica, e eu estou feliz por ela ser minha amiga", afirmou, enquanto Merkel lembrou a Trump que "as empresas alemãs estão a investir muito nos Estados Unidos".

Criado em 1999, o G20 integra os ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo e da UE.