O Presidente norte-americano, Donald Trump, acusou hoje a China de tentar manipular as eleições legislativas intercalares de novembro próximo nos Estados Unidos, porque o seu Governo "a desafiou" na arena comercial.

A China está a tentar influenciar as eleições de 2018 contra a minha Administração, não querem que eu ganhe, ou que nós ganhemos, porque sou o primeiro Presidente a desafiar a China no comércio e estamos a ganhar a todos os níveis", disse Trump, na primeira reunião do Conselho de Segurança da ONU por si convocada.

"Não queremos que se intrometam ou interfiram nas nossas eleições", acrescentou o chefe de Estado norte-americano, sem fornecer pormenores sobre essa alegada ingerência de Pequim na política interna norte-americana, além do descontentamento em relação à política comercial de Trump.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, assegurou hoje que Pequim “não interfere e não interferirá” nos assuntos internos de nenhum país e rejeitou as acusações do Presidente dos EUA, sobre uma alegada tentativa de manipulação eleitoral.

“Não interferimos nem interferiremos nos assuntos internos de nenhum país”, afirmou o chefe da diplomacia de Pequim durante uma sessão do Conselho de Segurança das Nações Unidas centrada na não proliferação de armas de destruição massiva.

Outra questão apresentada por Trump na reunião do Conselho de Segurança foi "a atitude cada vez mais agressiva do Irão", apesar de ter assinado em 2015 um acordo sobre o seu programa nuclear, argumentando que a um país com um histórico assim "nunca se poderá permitir a posse de uma arma nuclear".

"Nos anos que se seguiram à assinatura do acordo, a agressividade do Irão não parou de aumentar", sustentou Trump para, de alguma forma, justificar a retirada dos Estados Unidos desse acordo, também assinado por Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China.

"Por causa disso, os Estados Unidos vão impor novas sanções, mais duras que nunca, para combater todo o comportamento maldoso do Irão", indicou Trump, referindo-se a outras sanções além daquelas decididas após a retirada de Washington do acordo nuclear multilateral, que incidem sobre o petróleo e entrarão em vigor em novembro.

"Em novembro, a nossa reimposição de sanções será totalmente aplicada. Depois, imporemos mais sanções, que serão mais fortes que nunca, para combater todo o tipo de atividades malignas do Irão no Médio Oriente e não só", sublinhou Trump perante os membros do Conselho de Segurança.

Quanto à Coreia do Norte, o Presidente norte-americano apelou para o rigoroso cumprimento das sanções que lhe foram impostas pela ONU até à sua total desnuclearização.

"Eu penso que chegaremos a um acordo [porque] Kim Jong-un, um homem que aprendi a conhecer e apreciar, quer a paz e a prosperidade na Coreia do Norte", assegurou Trump.

"Para que tais progressos prossigam, devemos aplicar as resoluções do Conselho de Segurança da ONU até que a desnuclearização aconteça", acrescentou, lamentando que "alguns países estejam já a violar essas sanções da ONU".

O inquilino da Casa Branca acusou ainda a Rússia e o Irão de terem permitido "uma carnificina" na Síria ao apoiarem militarmente o Presidente sírio, Bashar al-Assad, na guerra civil em curso naquele país.

"O massacre levado a cabo pelo regime sírio foi possibilitado pela Rússia e pelo Irão", salientou Donald Trump.

Na reunião, participaram apenas os 15 membros do Conselho de Segurança, que juntou cinco Presidentes, um vice-presidente, dois primeiros-ministros e sete ministros dos Negócios Estrangeiros, entre os quais o da Rússia e o da China.