Donald Trump lamentou os vários mortos e milhares de feridos na sequência de duas explosões em Beirute, capital do Líbano. Em declarações a partir da Casa Branca, o presidente norte-americano condenou, esta terça-feira, aquilo que disse ser um "terrível ataque", mas acabou por ser desmentido por três oficiais do governo.

Deixem-me enviar as minhas profundas condolências aos libaneses, onde os balanços indicam que muitos, muitos morreram na explosão em Beirute. Parece um ataque terrível", começou por dizer.

Durante a mesma conferência de imprensa, e depois de lhe ter sido perguntado o porquê da utilização da palavra "ataque", Donald Trump afirmou que o disse com base nas informações que tinha recebido de oficiais norte-americanos.

Eles parecem pensar que foi um ataque. Algum tipo de bomba", acrescentou.

Representantes do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que optaram por não se identificar, revelaram à CNN que desconheciam as razões que levaram Donald Trump a referir-se ao caso como um "ataque".

Um dos oficiais alertou mesmo para as possíveis consequências de uma má interpretação da situação, que poderia levar a uma escalada militar na região.

Os representantes da Defesa norte-americana dizem mesmo que oficiais libaneses tentaram saber quais as razões que levaram os Estados Unidos a falarem em "ataque".

Até ao momento, o caso está a ser tratado como um acidente, sendo que já foi confirmado que a explosão se deu num navio que continha cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amónio, um composto altamente inflamável.

O secretário de estado Mike Pompeo já referiu que os Estados Unidos aguardam novas informações sobre as explosões.

Vários ‘capacetes azuis’ da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) ficaram gravemente feridos nas duas explosões.

A capital libanesa acordou em choque, abalada pelas explosões, com uma potência registada pelos sensores do Instituto Geofísico Americano como um terramoto de magnitude 3.3.

No epicentro da explosão, que foi sentido no Chipre, a mais de 200 quilómetros de distância, a paisagem permanece apocalítica: contentores que parecem latas torcidas, carros queimados, ruas cobertas de papéis e detritos de edifícios de escritórios espalhados pelos rebentamentos.

António Guimarães