Donald Trump escreveu esta sexta-feira no Twitter que suspendeu o ataque ao Irão "10 minutos antes da hora marcada", por ter sabido na altura que iriam morrer 150 pessoas em consequência da investida dos EUA. O presidente norte-americano revelou na rede social que considerou "desproporcionado" o número de baixas, tendo em conta que os Estados Unidos respondiam ao abate de um drone, que nãp é tripulado. 

Numa série de 'tweets', Trump começou por dizer que foi Barack Obama quem abriu caminho a que o Irão investisse em armamento nuclear. "Eu terminei o acordo, que não foi sequer ratificado pelo Congresso, e impus sanções. São uma nação muito mais enfraquecida hoje do que no início da minha presidência", escreveu Trump. 

Sobre o ataque, garante que estava pronto para retaliar, mas dez minutos antes da hora prevista perguntou a um general quantas pessoas iriam morrer, e decidiu cancelar a investida por ser "desproporcional".

Estávamos carregados para retaliar na noite passada em três localizações diferentes quando perguntei quantos iriam morrer. 150 pessoas, senhor, foi a resposta de um general. 10 minutos antes do ataque, travei-o".

 

Trump escreveu ainda que não tem "pressa" e que foram adicionadas novas sanções ao Irão. "O Irão não poderá nunca ter armas nucleares, não contra os EUA e não contra o mundo", sublinhou. 

Na quinta-feira à noite, o presidente norte-americano mandou cancelar a investida que tinha aprovado anteriormente contra o Irão. Aviões e navios carregados de mísseis estavam preparados para responder ao abate do drone militar dos EUA mas acabaram por ficar em terra.

Esta sexta-feira, escreve a Reuters, Trump enviou uma mensagem a Teerão, via Omã, avisando que o ataque está iminente, deixando cair por terra a possibilidade de este recuo significar um final nas ameaças. Parece, por sua vez, tratar-se de um adiamento por questões estratégicas.

Na sua mensagem, Trump disse que era contra qualquer guerra com o Irão e queria conversar com Teerão sobre vários assuntos”, contou um oficial iraniano àquela agência de notícias. “Ele deu um período de tempo reduzido para que respondêssemos, mas o Irão assumiu imediatamente que a decisão em relação a este assunto cabe ao Líder Supremo [Ayatollah Ali] Khamenei”.

A acontecer, esta seria a terceira ação militar contra alvos no Médio Oriente desde a administração Trump, que já atacou a Síria em 2017 e 2018.

EUA pedem reunião do Conselho de Segurança da ONU para falar sobre Irão

Os Estados Unidos (EUA) pediram a realização na segunda-feira de uma reunião à porta fechada do Conselho de Segurança da ONU para falar sobre os últimos desenvolvimentos relacionados com o Irão, indicaram fontes diplomáticas, esta sexta-feira.

O pedido de Washington solicita discussões com os 15 Estados-membros que compõem este órgão máximo da ONU (por ter a capacidade de fazer aprovar resoluções com caráter vinculativo) “sobre os últimos acontecimentos relacionados com o Irão e os recentes incidentes envolvendo petroleiros” estrangeiros, indicou uma fonte diplomática, citada pela agência noticiosa francesa France-Presse (AFP) que falou sob a condição de anonimato.

Segundo uma outra fonte diplomática, citada igualmente pela AFP, a reunião deve ser realizada na segunda-feira à tarde.

A tensão entre o Irão e os Estados Unidos voltou a aumentar na quinta-feira com o derrube de um drone (aparelho aéreo não-tripulado) norte-americano pelas forças iranianas, que levou Washington a preparar ataques aéreos retaliatórios, cancelados à última hora pelo Presidente Donald Trump.

O Irão alega que o drone de vigilância marítima RQ-4A Global Hawk estava em espaço aéreo iraniano e que foi alertado várias vezes antes de ser lançado um míssil contra ele.

A versão iraniana é contestada pelos Estados Unidos, que afirmam que o drone foi abatido no espaço aéreo internacional no estreito de Ormuz, onde na semana passada dois petroleiros, um norueguês e um japonês, foram alvo de ataques, atribuídos por Washington a Teerão, que nega qualquer responsabilidade nos incidentes.

O estreito de Ormuz, no Golfo de Omã, ao largo do Irão, é uma área considerada como vital para o tráfego mundial de petróleo.

Um mês antes destes recentes incidentes, outros quatro navios, incluindo três petroleiros, já tinham sido alvo de atos de sabotagem no mar de Omã, ao largo dos Emirados Árabes Unidos.

Ainda na quinta-feira, o Irão declarou que pretendia levar o caso do drone norte-americano “perante a ONU” para demonstrar que “os Estados Unidos mentem” e que Washington atacou a República Islâmica.

Vamos levar esta nova agressão perante a ONU e mostrar que os Estados Unidos mentem quando dizem que o drone estava sobre águas internacionais”, escreveu, na quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Mohammad Javad Zarif, numa mensagem publicada na rede social Twitter.