O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou na quinta-feira com quatro dos seus homólogos para “lhes explicar pessoalmente” a decisão de abandonar o Acordo de Paris sobre as alterações climáticas.

Trump conversou ao telefone com a chanceler alemã, Angela Merkel, com o presidente francês, Emmanuel Macron, com a primeira-ministra britânica, Theresa May, e com o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau.

De acordo com as informações divulgadas pela Casa Branca, o presidente norte-americano agradeceu aos quatro líderes por “manterem discussões francas sobre este tema durante os seus primeiros meses no cargo”.

Também assegurou aos líderes que os Estados Unidos continuam comprometidos com a aliança transatlântica e com os firmes esforços para proteger o ambiente”, explicou Washington, em comunicado.

Donald Trump anunciou na quinta-feira que os Estados Unidos vão sair do Acordo de Paris, um compromisso assumido em 2015, tendo em vista a redução das emissões de gases com efeito de estufa para conseguir baixar o aquecimento do planeta. 

Numa declaração feita na Casa Branca, o líder norte-americano sublinhou a intenção de negociar para "reentrar no acordo em termos que sejam justos para os Estados Unidos". Algo que as maiores economias do continente europeu não se mostram dispostas a aceitar. Alemanha, França e Itália divulgaram um comunicado conjunto, assumindo que o Acordo de Paris não é negociável.

Reações da comunidade internacional deixam Trump isolado

As reações e as críticas à decisão de Trump têm-se multiplicado, deixando o líder norte-americano isolado.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, já reagiu à notícia, em Bruxelas, afirmando que não há como voltar atrás no Acordo de Paris. As declarações de Juncker foram feitas na abertura da cimeira UE-China.

"Não há marcha atrás na transição energética, não há marcha atrás sobre o acordo de Paris", frisou.

De resto, da cimeira UE-China deverá sair uma declaração que reafirma o compromisso no combate ao aquecimento global.

Também esta sexta-feira, o primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, classificou a decisão como “calamitosa”. O governante mostrou-se, porém, convencido de que muitas cidades norte-americanas vão manter ações contra o aquecimento global.

Há um grande número de autarcas dos Estados Unidos que vão continuar a querer a trabalhar connosco” disse numa entrevista à estação de rádio RTL.

O primeiro-ministro francês afirmou ainda que as posições do presidente norte-americano abrem uma fase de “consternação mas também de resolução” e que reforçam a “urgência e a necessidade” de uma perspetiva coletiva.

O governo do Japão também já reagiu à notícia, classificando de “lamentável” o anúncio de Trump, com o ministro do Ambiente japonês a considerar a medida “contrária à inteligência humana”.

Em comunicado, o ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Fumio Kishida, frisou que o Japão estava “confiante de que iria trabalhar com os Estados Unidos no âmbito do Acordo de Paris, pelo que o anúncio da administração norte-americana é lamentável”.