Donald Trump voltou a insistir que o decreto anti-imigração assinado na passada sexta-feira, não é um veto a muçulmanos. Numa declaração oficial da Casa Branca, o presidente norte-americano afirmou que “isto não é uma proibição aos muçulmanos, como os media estão a reportar de forma falsa. Não se trata de religião, trata-se do terrorismo e de manter o nosso país a salvo".

"Os Estados Unidos da América são um país orgulhoso de imigrantes e continuaremos a demonstrar compaixão com aqueles que fogem da opressão, mas faremos isto enquanto protegemos os nossos próprios cidadãos e fronteiras. Os Estados Unidos da América sempre foram a terra dos livres e o lar dos bravos. Continuaremos livres e a salvo, como a imprensa sabe, mas recusa dizer (...). Tenho um enorme sentimento pelas pessoas envolvidas nesta horrível crise humanitária na Síria. A minha primeira prioridade será sempre proteger e servir o nosso país, mas como presidente irei sempre encontrar maneiras de ajudar os que sofrem", escreveu Trump.

O presidente dos EUA lembra ainda que mais de 40 países muçulmanos não foram afectados pela ordem da passada sexta-feira e que os sete países (Irão, Iraque, Líbia, Somália, Susão, Síria e Iémen) já constavam de uma lista elaborada pela Administração Obama contra o terror.

O comunicado garante ainda que a concessão de vistos vai ser retomada no fim da suspensão de 90 dias, após serem adotados novos procedimentos (não especificados) de controlo.

16 procuradores-gerais condenam medida

Também neste domingo à noite, procuradores-gerais de dezasseis estados americanos vieram condenar o decreto assinado por Donald Trump.

Condenamos o decreto do Presidente Trump, que é contrário à Constituição, aos valores da América e ilegal, e vamos trabalhar em conjunto para garantir que o governo federal obedece à Constituição, respeita a nossa história de nação fundada sobre a imigração e não visa ninguém apenas por causa da sua nacionalidade ou da sua fé", afirmaram os procuradores democratas, em comunicado.

Estes procuradores de Illinois, Califórnia, Connecticut, Distrito De Columbia, Hawai, Iowa, Maine, Maryland, Massachusetts, Novo México, Nova Iorque, Oregon, Pensilvânia, Vermont, Virgínia são os principais representantes judiciais de cerca de um terço da população do país e prometem combater o decreto do presidente com todos os meios disponíveis. 

Também de Washington chegaram também fortes críticas ao decreto por parte do governador estadual, Jay Inslee, que desferiu um violento ataque à administração Trump, dizendo que esta atitude é discriminatória, cruel e desumana, para além de provocatória e ineficaz. 

O governador de Washington destaca ainda a incompetência da administração Trump, dizendo que nem "um funeral com dois carros seria capaz de organizar".

Este domingo, o presidente dos EUA tinha usado o Twitter para afirmar que, com o decreto, quer evitar a "confusão horrível" que aconteceu na Europa.

A medida de Trump, fortemente criticada por líderes europeus que se reuniram este sábado em Lisboa, em especial o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, sendo desde logo aplicada por algumas companhias aéreas.

Numa ordem executiva assinada na sexta-feira, Donald Trump suspendeu a entrada de refugiados nos Estados Unidos por pelo menos 120 dias e impôs um controlo mais severo aos viajantes oriundos do Irão, Iraque, Líbia, Somália, Síria e Iémen durante os próximos três meses.

A entrada em vigor da medida na sexta-feira à noite apanhou de surpresa as pessoas que já estavam no avião e prontas para seguir viagem. Nos aeroportos dos EUA a situação está caótica, com milhares de pessoas a protestarem contra a nova política de imigração.