O presidente norte-americano já assinou o decreto que impõe a situação de emergência nacional, de forma a ter verbas para avançar com a prometida construção de um muro na fronteira com o México.

Enquanto Donald Trump falava nos jardins da Casa Branca, na tarde de sexta-feira, a assessora de imprensa Sarah Sanders divulgou, através da rede Twitter, uma foto a preto e branco do presidente a assinar a declaração de emergência na Sala Oval.

Ao declarar estado de emergência nacional, Donald Trump pode, tecnicamente, ignorar o Congresso, que lhe rejeitou autorização para construir o muro na fronteira com o México, e desbloquear fundos para aquela que foi uma das suas mais emblemáticas promessas eleitorais.

Falando aos jornalistas, Trump assumiu que "a declaração está assinada. E assinarei os papéis finais assim que voltar à Sla Oval. E teremos uma emergência nacional".

Seremos processados", admitiu Trump, aludindo a prováveis contestações judiciais e até um bloqueio da decisão por parte do Congresso, adiantando que a questão ´"acabará no Supremo Tribunal".

Dinheiro até da Defesa

O presidente aludiu ainda à mobilização de verbas da Defesa para a construção do muro na fronteira com o México, lembrando que o orçamento militar tem aumentado nos últimos anos.

Alguns generais acham que é mais importante... bem mais importante do que aquilo que iriam fazer com o dinheiro", afirmou.

Trump lamentou não ter podido construir o muro na fronteira antes, voltando a insistir que essa vedação irá permitir "enfrentar a crise de segurança nacional na nossa fronteira sul".

Temos uma invasão de drogas, invasão de gangues, invasão de pessoas e isso é inaceitável. Todo mundo sabe que os muros funcionam", afirmou.

Segundo a agência de notícias Reuters, os serviços da administração norte-americana terão conseguido identificar cerca de oito mil milhões de dólares (7,1 mil milhões de euros) de verbas distribuídas por vários sectores, que poderão ser desviadas ao abrigo da declaração de emergência nacional, para a construção do muro.

Democratas contestam

Após terem chegado a um entendimento no Congresso sobre o orçamento, de forma a evitar um novo "shutdown" que voltasse a paralisar todos os serviços públicos federais dos Estados Unidos, dirigentes do partido democrata já vieram a terreiro considerar que a declaração de emergência nacional "viola a Constituição".

A presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, e o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, assinaram um comunicado conjunto, em que consideram que a anunciada crise na fronteira sul do país, que Trump usa como argumento para a construção do muro, "não existe".

Isto é claramente uma tomada de posição de um Presidente decepcionado, que extrapolou os limites da lei para tentar obter o que não conseguiu no processo legislativo constitucional", refere o comunicado, onde os democratas apelam aos opositores republicanos para se oporem à declaração de emergência nacional.

O presidente não está acima da lei. O Congresso não pode deixar o presidente destruir a Constituição", afirma os democratas.

Iremos lutar no Congresso, nos tribunais e junto do público”, afirmam ainda os líderes democratas.

China e Síria

Falando aos jornalistas nos jardins da Casa Branca, Trump aproveitou ainda para garantir que as negociações com a China "estão a correr bastante bem", e que poderá alargar o prazo para um novo acordo comercial para além do dia 1 de março.

Existe a possibilidade de estender a data. Poderei fazê-lo se vir que estamos próximos de um acordo, ou que o acordo vai na direção certa e não aumentarei as taxas", afirmou Trump, face à ameaça presente de aumentar as tarifas sobre as importações chinesas de 10% para 25%.

Já sobre a situação na Síria, de onde os Estados Unidos pretendem retirar todos os cerca de dois mil soldados ali estacionados, Donald Trump assegurou que será apresentada publicamente uma posição nas próximas 24 horas.

Temos grandes anúncios relacionados com a Síria e sobre os nossos sucessos na erradicação do califado (Estado Islâmico) que serão anunciados nas próximas 24 horas", disse Donald Trump.

/ Atualizada às 17:00