Donald Trump, perante os Chefes de Estado e de Governo de mais de 190 países, fez um agradecimento ao presidente da Coreia do Norte, insistiu na queda do regime sírio, condenou a forma de negociar da China e lançou sanções a Maduro. Um discurso anti-medidas russas e vincado pelos conselhos dados à Europa.

O presidente dos Estados Unidos, que chegou atrasado à Assembleia das Nações Unidas, em Nova Iorque, começou por partilhar o “extraordinário progresso” que os EUA fizeram no último ano, desde a primeira presença de Trump no evento.

Os Estados Unidos estão mais fortes, mais seguros e mais ricos em menos de dois anos”. Foi assim que Donald Trump resumiu o país depois de se referir às reformas políticas, militares e económicas que implementou desde que assumiu a presidência.

Já no campo geopolítico e das relações externas, Trump prometeu manter as sanções à Coreia do Norte até à desnuclearização do país. O presidente dos EUA, ainda assim, fez um agradecimento àquele que chamou de "Rocket Man" em 2017 e a quem prometeu, em ameaça, a "total destruição da Coreia do Norte.

Agradeço a Kim Jong-un o trabalho em prol da paz, mas as sanções continuam até à desnuclearização”, afirmou.

Ainda na Ásia, ataque feroz à China, que acusa de ser um país que engana os EUA. Trump admitiu estar “farto” de ser enganado pela China, embora tenha sublinhado que tem respeito pelo presidente daquele país asiático.

Tenho respeito pelo presidente Xi, mas a forma como a China negoceia não é tolerável”, afirmou, mostrando perante as Nações Unidas que não compactua com a política comercial chinesa, que acusa de violar as leis da Organização Mundial do Comércio.

Síria e o "regime corrupto" que deve cair

Donald Trump referiu-se à Síria e não deixou de frisar que ver cair o regime de Assad. Para o presidente dos EUA, só há uma forma de ajudar a Síria e que deve incluir um plano para negociar com o Irão.

A estratégia para ajudar a Síria deve levar à queda do regime corrupto (de Assad)”, afirmou.

Os Estados Unidos vão responder se armas químicas forem usadas na Síria pelo regime de Bashar al-Assad, prometeu o presidente. Aqui evidentes críticas às medidas sírias, apoiadas pela Rússia e por Putin, a pautar o discurso anti-medidas russas.

Trump adiantou ainda que o objetivo passa por trabalhar com as Nações do Golfo, Jordânia e Egito para montar uma aliança estratégica regional.

No que toca ao Irão, Trump foi direto: “Líderes iranianos mostram caos, morte e destruição”. Depois disto, anunciou que a 5 de novembro vão ser aplicadas mais sanções ao Irão depois das sanções do petróleo, apelando às restantes nações que "isolem" o regime iraniano

O presidente dos Estados Unidos diz que o país quer a paz entre israelitas e palestinianos, adiantando, ainda assim, que recusa uma ideia de globalização.

Questão do Petróleo

Trump fez críticas à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEC) e aos países membros, que diz excluírem o “resto do mundo”.

Eu quero que as Nações do OPEC parem de aumentar os preços”, pediu, acrescentando que quer que os países da organização contribuam de forma substancial para a proteção militar.

Da América Latina, destaque para a Venezuela no discurso do presidente norte-americano. Trump criticou Nicolás Maduro e anunciou novas sanções contra o país.

Queremos ajuda para restaurar a democracia na Venezuela, vamos lançar hoje mais sanções contra o regime de Maduro".

Quanto à Europa, admitiu apoiar os países que se autodeterminem fora da União Europeia, ou seja, estados que se querem impor perante a UE. O presidente dos EUA fez ainda um aviso relacionado com a construção do gasoduto que virá da Rússia e abastecerá a Europa central.

Alemanha vai ficar completamente dependente da energia russa com a construção do gasoduto”.

Trump deixou ainda um aviso, antes de agradecer aos Chefes de Estado e de Governo: “Os Estados Unidos só vão dar ajuda internacional, no futuro, àqueles que respeitarem os EUA e forem amigos dos EUA”.