O Presidente norte-americano não excluiu hoje a hipótese do príncipe herdeiro saudita ter tido conhecimento do assassínio do jornalista Jamal Khashoggi, garantindo, porém, que isso não ameaçará a relação “inabalável” entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita.

“Podia ser que o príncipe herdeiro [Mohammed bin Salman] tivesse conhecimento deste acontecimento trágico. Talvez tenha tido ou talvez não!”, indicou Donald Trump, num comunicado hoje divulgado.

“Talvez nunca iremos conhecer todos os factos relacionados com a morte de Jamal Khashoggi. Em qualquer dos casos, a nossa relação é com o reino da Arábia Saudita. Os Estados Unidos pretendem permanecer um parceiro inabalável da Arábia Saudita”, frisou o chefe de Estado norte-americano.

Na mesma nota informativa, Trump enumerou as razões que sustentam a aliança estratégica entre Washington e Riade: a luta contra o inimigo comum iraniano, o combate contra o “terrorismo islâmico radical”, a compra de armas norte-americanas e a estabilidade dos preços do petróleo (o reino saudita é o maior exportador de crude do mundo).

No texto, Donald Trump assegurou que os Estados Unidos não vão punir, neste momento, o príncipe herdeiro saudita ou suspender a venda de armamento à Arábia Saudita.

Sobre este último assunto, Trump frisou que o cancelamento da venda de armamento a Riade, contratos avaliados em muitos milhões de dólares, apenas beneficiaria, por exemplo, a China e a Rússia.

Segundo o Presidente dos Estados Unidos, as agências de informações norte-americanas “continuam a analisar todas as informações” relacionadas com o caso Khashoggi.

Vários ‘media’ norte-americanos, incluindo o jornal The Washington Post (onde Jamal Khashoggi era um colaborador regular), avançaram que os serviços secretos norte-americanos (CIA) tinham chegado à conclusão que o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, o atual homem forte de Riade, tinha sido o mandante do assassínio do jornalista.

Jamal Khashoggi, jornalista saudita crítico do regime, foi morto em 02 de outubro no consulado saudita em Istambul, na Turquia.

A Arábia Saudita começou por assegurar que o jornalista tinha saído do consulado vivo, mas depois mudou de versão e admitiu que foi morto na representação diplomática numa luta que correu mal.

Segundo a investigação turca, Khashoggi foi morto por um esquadrão de agentes sauditas que viajaram para Istambul com esse fim.

O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse por várias vezes que a ordem para matar Khashoggi "foi dada ao mais alto nível do Estado" saudita.

As autoridades sauditas detiveram 21 suspeitos de ligações à morte do jornalista e adiantaram que 11 foram já acusados.