O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está de visita ao Reino Unido. Uma viagem que causou polémica mal foi anunciada e continuou a causar nas vésperas e no próprio dia em que chegou.

Trump parece não ser muito bem-vindo em terras de Sua Majestade e houve quem lhe mostrasse isso mesmo de modo a que o pudesse ver do ar. A Born Eco, uma plataforma de venda de produtos amigos do ambiente, alertou Donald Trump para um assunto que não lhe é muito querido – as alterações climáticas -, de um modo muito… fálico. Desenharam num enorme relvado um pénis, acompanhado da mensagem “Oi Trump”, de forma a que o presidente pudesse ver o desenho quando o avião estivesse a aterrar.

Além do pénis gigante, num outro campo ao lado, foi desenhado um urso polar e escrita a mensagem “Climate change is real” (“As alterações climáticas são reais”, traduzido para português.

A mensagem de boas-vindas e o alerta a Trump foram desenhados junto ao aeroporto de Stansted.

A plataforma publicou as imagens no Twitter, com a legenda “Adivinhem quem esteve ocupado hoje a cortar uma dura mensagem para Trump por baixo da rota de voo do Stansted… por favor partilhem e vamos ver quão longe podem ir as boas-vindas!”.

O presidente de Câmara incómodo

Sadiq Khan, o presidente da Câmara de Londres, sempre foi um crítico de Donald Trump. Desde que foi anunciado o convite ao Presidente dos Estados Unidos, Sadiq Khan não poupou críticas ao mesmo.

Este domingo, vésperas da visita, o autarca de Londres voltou a criticar as honras que estavam a ser preparadas para receber Trump. Sadiq Khan comparou a linguagem utilizada pelo Presidente dos Estados Unidos para mobilizar os seus apoiantes à dos "fascistas do século XX". 

"O Presidente Donald Trump é um dos mais notórios exemplos da crescente ameaça global. A extrema-direita está a subir em todo o mundo, ameaçando os nossos direitos e liberdades tão duramente conquistados e os valores que definiram as nossas sociedades liberais, democráticas durante mais de 70 anos", escreveu Khan, num artigo no jornal The Observer.


"Viktor Orbán na Hungria, Matteo Salvini em Itália, Marine Le Pen em França e Nigel Farage aqui no Reino Unido estão a utilizar os mesmos tropos (expressões retóricas) divisionistas dos fascistas do século XX para ganhar apoio, mas com novos métodos sinistros para distribuir a sua mensagem. E estão a ganhar terreno, poder e influência em lugares inimagináveis há alguns anos", adiantou.

Trump não gostou do que leu e, ele que faz a sua vida entre Washington e Nova Iorque, acusou o autarca londrino de estar a fazer “um péssimo trabalho”.

Em dois tweets publicados ainda antes de aterrar na capital britânica, Trump escreveu que Sadiq Khan, que "fez um trabalho terrível como Mayor de Londres”, apelidou-o de “fracassado” e aconselhou-o a "concentrar-se no combate ao crime".

Trump escreve anda que Sadiq Khan o faz lembrar o "nosso muito burro e incompetente mayor de Nova Iorque, que também fez um trabalho terrível".

A duquesa “mazinha”

A polémica em torno da visita de Trump estende-se também à relação tensa que o presidente dos EUA tem com a duques de Sussex, Meghan Markle. Numa entrevista ao tabloide The Sun, Trump disse que Markle tinha sido “mazinha” por se ter declaradamente contra a sua candidatura à presidência. Durante a campanha eleitoral, Meghan foi clara no apoio a Hillary Clinton e acusou Trump de ser “misógino” e “divisivo” e foi uma das celebridades que disse que, caso o homem fosse eleito, deixaria o país.

Confrontado com estas declarações da agora duquesa, Trump disse ao jornal que não se recordava de tais comentários nem de Meghan ser “uma pessoa ‘nasty’ [mazinha]”.

Depois de a notícia ter sido publicada, Trump voltou a recorrer à sua conta de Twitter para negar ter feito tais afirmações sobre Meghan Markle e apelidou a notícia de “fake news”, mesmo depois do The Sun ter feito publicar um áudio a comprovar a afirmação do presidente.

Trump aterrou ao início desta manhã em Londres, para uma visita que conta com muita contestação. Estão previstos inúmeros protestos em toda a cidade. Por isso, as medidas de segurança na capital britânica foram reforçadas.