O presidente norte-americano defendeu esta sexta-feira a proibição de a polícia imobilizar os detidos pelo pescoço, tal como aconteceu com o afro-americano George Floyd, mas defendeu que, nalguns casos, os agentes possam utilizar a prática "inocente" a "pessoas más".

Creio que seria, creio, algo muito bom, falando em geral, acabar" com a prática de imobilização dos detidos pelo pescoço, disse Donald Trump em resposta a uma pergunta nesse sentido numa entrevista emitida hoje no canal Fox News, gravada quinta-feira durante uma visita a Dallas (Texas).

Não gosto de ver as imobilizações pelo pescoço. Às vezes, quando se está sozinho e luta-se contra alguém é duro", afirmou Trump, assinalando que dependerá sempre do caso, sublinhando que o conceito parece "tão inocente, tão perfeito".

Foi dessa forma que o afro-americano George Floyd morreu a 25 de maio passado depois de ser detido na rua por um polícia branco que, para o imobilizar no solo, pressionou o joelho no pescoço, acabando por o asfixiar.

A morte de Floyd desencadeou uma onda de protestos e distúrbios raciais contra a violência policial exercida pela polícia contra pessoas negras em várias cidades dos Estados Unidos.

Trump sublinhou ser "bom" falar desta prática e que lhe parece "razoável" que se possa proibir.

Mas, se se pensa sobre isso, então damo-nos conta de que pode haver uma luta perigosa e que o agente ponha alguém numa postura muito, muito complicada", acrescentou, acrescentando que a decisão de utilizar a técnica ou não terá de ser deixada para as jurisdições locais, uma vez que o Governo só poderá avançar com recomendações.

Ao longo da semana em curso, os democratas na Câmara Baixa, onde os republicanos têm a maioria, apresentaram um projeto de lei para reformar a polícia, que inclui, entre outras medidas, a proibição de imobilização dos detidos com o joelho no pescoço.

Interrogado pela entrevistadora da Fox News, que é negra, sobre qual seria para Trump uma reforma na polícia, o Presidente norte-americano afirmou que quer ver umas forças da ordem "compassivas, mas, ao mesmo tempo, fortes".

Nesse sentido, considerou que a violência policial contra pessoas negras "é uma desgraça" que é preciso parar, embora tenha destacado que "as ações de uma maçã podre" não devem destruir a imagem dos agentes.