O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oferece um compromisso ao Congresso para acabar com a paralisia dos serviços federais, o chamado shutdown, que atinge 800 mil funcionários que estão sem salário, mas insiste no financiamento do muro. O presidente norte-americano garante que permitirá a extensão por três anos do programa que protege os chamados dreamers: 700 mil imigrantes que entraram ilegalmente no país com os pais. Além desta medida, Trump propõe estender também por três anos o prazo para portadores do estatuto de proteção temporária (TPS, da sigla em inglês). Em troca exige 5,7 mil milhões de dólares para construir a barreira física com o México.

O plano de Donald Trump inclui ainda 800 milhões de dólares para assistência humanitária, assim como 805 milhões de dólares para desenvolvimento da tecnologia de deteção de drogas.

Trump promete ainda contratar 2759 agentes fronteiriços e 75 novos juízes de imigração.

Com estas propostas, o presidente espera por fim à paralisação parcial do Governo, que já dura 29 dias e é a mais longa da história. O shutdown afeta diretamente 800 mil funcionários federais, que não receberam o salário este mês. 

O presidente falou ao país e falou sobre o que chamou de um "sistema quebrado de imigração" e enumerou problemas como tráfico de drogas e ataques violentos a mulheres e crianças na região da fronteira. "Nosso sistema de imigração deveria ser objeto de orgulho e não motivo de vergonha, como é agora, vergonha perante o mundo todo", afirmou.

Em declarações na Casa Branca, em Washington, Donald Trump disse que estava a oferecer um "compromisso de senso comum que ambas as partes deveriam adotar". Trump considera que a proposta agora apresentada seria uma solução bipartidária à questão imigratória e que esperava um "apoio entusiasmado" dos democratas.

Mas, de acordo com a CNN, a proposta deve "morrer à nascença" por falta de apoio dos democratas. A líder da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, já tinha anunciado que iria rejeitar a proposta, ainda antes do discurso deste sábado.

Infelizmente, os relatos iniciais deixam claro que a sua proposta é uma compilação de várias iniciativas anteriormente rejeitadas. Cada uma das quais é inaceitável e, no total, não representa um esforço de boa-fé para restaurar a certeza na vida das pessoas. É improvável que qualquer uma dessas disposições passe sozinha pela Câmara e, em conjunto, elas são inaceitáveis", disse Pelosi, num comunicado divulgado através do Twitter. 

 

Para começar, esta proposta não inclui a solução permanente para os dreamers e portadores de TPS que o nosso país precisa e apoia", disse ainda Pelosi.

 

Os democratas, que agora controlam a maioria na Câmara, recusam-se a incluir no orçamento a verba pedida por Trump para construir o muro, porque o consideram “caro demais, ineficaz e imoral”. Os democratas oferecem pouco mais de mil milhões de dólares para serem investidos em segurança na fronteira, mas sem a construção de um muro.