Em ano pandémico brincar com a palavra viral pode parecer parvo à primeira vista, mas à segunda, certamente, que vai achar graça, até porque se trata de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, prestes a terminar o seu mandato, mas ainda com muito tempo para acrescentar mais uns momentos virais ao seu já vasto repertório.

Mas fiquemo-nos por 2020, que o homem é incansável nas redes sociais e este texto não é suposto ser sobre a vida e obra de todas as trumptices.

Comecemos, então, pela covid-19 e por aquela que era, em abril, a melhor forma de a combater, segundo Trump: injetar desinfetante. Ora bem, isto não foi uma fake news, está gravado, e até uma conhecida marca de produtos de limpeza norte-americana fez questão de avisar de imediato os consumidores que em circunstância alguma deveriam fazê-lo. 

Em junho, quando descia uma rampa, no final de um comício na Academia Militar de West Point, como se de um velhinho se tratasse, Donald Trump levou muitos a questionarem-se sobre o seu estado de saúde.

E além dos passos hesitantes à saída do palco, também mostrou pouca aptidão para segurar num copo apenas com uma mão.

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Depois veio, claro, o "teste cognitivo" e o desafio ao rival Joe Biden para passar neste exame, apto apenas para alguém "cognitivamente presente", como Donald Trump disse ser o seu caso, em entrevista à Fox News. Uma das perguntas sobre memória pedia a repetição das seguintes palavras: "pessoa", "mulher", "homem", "câmara" e "televisão". Trump repetiu e cerca de 15 minutos depois, após responder a outras questões, foi-lhe pedido que voltasse a repetir aquela sequência. E Trump disse que repetiu, sem qualquer dificuldade. "Isso é espetacular! Como conseguiu?", terão perguntado os examinadores, segundo o presidente.

Em julho, uma fotografia da Associated Press que vale mil palavras correu mundo. Donald Trump visitou o Monte Rushmore, na Dakota do Sul, e foi fotografado ao lado dos rostos esculpidos na montanha de quatro antigos presidentes dos Estados Unidos: George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln. Segundo o New York Times escreveu na altura, um representante da Casa Branca terá abordado o gabinete da governadora Kristi Noem para saber qual era o "procedimento oficial" para juntar um presidente ao monumento nacional. Trump negou que tal fosse verdade, mas disse que parecia "uma boa ideia", como se pode imaginar.

Também no verão, mas em agosto, os seis longos segundos em que Trump bem tentou mas não conseguiu dar a mão a Melania, à saída do Air Force One, o avião do presidente, tornaram-se num dos momentos que mais discussão geraram nas redes sociais sobre a relação do casal.

Quando em outubro Donald Trump anunciou que tinha testado positivo à covid-19 todas as atenções viraram-se para o presidente e viraram-se de tal modo que alguns peritos em imagens conseguiram identificar que Trump estaria a assinar documentos em branco num momento encenado para a comunicação social e que pretendia mostrar que o líder norte-americano nunca parou de trabalhar enquanto esteve internado no Hospital Militar Walter Reed.

Terminamos com uma compilação, feita pelo próprio Donald Trump. A montagem de dois minutos foi divulgada no dia das eleições presidenciais, 3 de novembro, para apelar ao voto, e mostra vários momentos de "dança", que protagonizou nos seus comícios ao som da popular canção "YMCA" dos Village People. Quem nunca?

Catarina Machado